O subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), morreu neste domingo (11) após ser baleado durante uma ocorrência envolvendo policiais militares de diferentes unidades da corporação, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
O tiroteio aconteceu na Rua Guilherme Moreira, na divisa entre os bairros Gardênia Azul e Freguesia, em Jacarepaguá. Além do subtenente, outros cinco policiais ficaram feridos, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência.
A principal hipótese investigada é que agentes do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento da região, tenham confundido uma ação do Bope com uma abordagem realizada por criminosos.
A Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar apuram as circunstâncias do confronto.
Como aconteceu o tiroteio entre policiais militares?
De acordo com as informações iniciais da Polícia Militar, uma equipe do Bope realizava a abordagem de um veículo na Rua Guilherme Moreira quando policiais do 18º BPM se aproximaram do local.
Os agentes do batalhão de Jacarepaguá teriam interpretado a movimentação como uma ação criminosa, dando início aos disparos contra a equipe especializada.
A baixa luminosidade na região é apontada como um dos fatores que podem ter contribuído para a confusão.
Relatos iniciais também indicam que os policiais envolvidos utilizavam viaturas descaracterizadas, o que pode ter dificultado a identificação entre as equipes.
As circunstâncias exatas da troca de tiros, incluindo a sequência dos disparos e os procedimentos adotados pelas unidades, ainda dependem de esclarecimento pelas autoridades.
Subtenente do Bope não resistiu aos ferimentos
Gláucio Marcelo foi atingido durante o confronto e chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Outros cinco policiais também foram baleados, sendo quatro integrantes do Bope e um do 18º BPM, conforme o balanço divulgado pela reportagem de O Dia.
Os agentes feridos foram encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, localizado na Barra da Tijuca.
Até a divulgação das informações iniciais, não havia um boletim médico detalhado sobre o estado de saúde de todos os sobreviventes.
O número de feridos apresentou divergências entre os primeiros relatos publicados sobre a ocorrência, e o balanço poderá ser atualizado pelas autoridades.
Policial tinha 26 anos de carreira e deixou três filhos
Gláucio Marcelo Fonseca da Silva tinha 26 anos de serviço na Polícia Militar, tendo passado a maior parte de sua trajetória profissional no Bope.
O subtenente era conhecido pela experiência em operações especiais e costumava compartilhar registros de seu trabalho nas redes sociais.
Ele deixou três filhos.
A morte também representa uma nova perda para a família do militar, que já havia enfrentado a morte de outro integrante da corporação em 2025.
Irmão de Gláucio morreu em operação policial em 2025
Gláucio era irmão de Héber Carvalho da Fonseca, policial militar morto durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, em outubro de 2025.
A operação ficou marcada pelo elevado número de mortes e pela repercussão nacional.
Em setembro deste ano, Gláucio publicou uma homenagem ao irmão nas redes sociais, relatando a saudade e as lembranças da convivência familiar e profissional.
Na mensagem, ele destacou a falta que o irmão fazia em sua vida e nas operações policiais.
A última publicação de Gláucio nas redes sociais havia sido feita na sexta-feira (9), dois dias antes de sua morte.
Delegacia de Homicídios e Corregedoria investigam o caso
A investigação sobre a morte do subtenente ficará a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), com atuação da Corregedoria Interna da Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2ª DPJM).
O trabalho deverá esclarecer como ocorreu a aproximação entre as equipes, se houve falhas de comunicação e quais circunstâncias levaram os policiais a abrir fogo.
A perícia e os depoimentos dos envolvidos poderão ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos.
Até o momento, a hipótese de que os militares tenham confundido os colegas com criminosos não representa uma conclusão definitiva da investigação.
Ocorrência provocou interdições na região
O tiroteio também afetou a circulação de veículos na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.
Segundo informações do Centro de Operações Rio, duas faixas da Avenida Ayrton Senna foram interditadas na altura do Espaço Hall, no sentido Linha Amarela, por volta das 6h30.
A medida foi adotada durante o atendimento à ocorrência e os trabalhos realizados na região.
A morte de Gláucio Marcelo levanta questionamentos sobre a identificação entre equipes policiais e a coordenação de operações simultâneas, pontos que deverão ser analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Da IstoÉ