Ataque em águas internacionais deixou dezenas de mortos. Turquia diz ter interceptado míssil iraniano. Teerã ameaça bombardear navios no Estreito de Ormuz. Acompanhe as últimas notícias sobre a guerra no Irã.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã neste fim de semana miraram lideranças iranianas e mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e vários chefes militares.
O Irã prometeu vingar a morte de Khamenei e lançou mísseis contra Israel e bases militares americanas, portos e aeroportos no Golfo Pérsico, atingindo países aliados dos EUA na região.
Guarda Revolucionária iraniana diz ter destruído base dos EUA no Bahrein.
Um conselho interino foi formado para governar o Irã após a morte de Khamenei e até a eleição de um novo líder supremo. Colegiado inclui o presidente Massoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Eje, e o aiatolá Alireza Arafi.
O presidente dos EUA, Donald Trump, diz que foi procurado pela nova liderança iraniana, mas que agora "é tarde demais". Segundo ele, a ofensiva americana deve durar quatro ou mais semanas, e invasão terrestre não está descartada.
Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e uma das figuras de oposição mais proeminentes do país no exílio, voltou a se apresentar como potencial futuro líder. Trump, contudo, disse preferir nome "de dentro do país".
No Golfo Pérsico, empresas petrolíferas suspenderam o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, que o Irã anunciou ter fechado. A medida pode ter impactos devastadores para a economia global. Trump reagiu prometendo escoltar petroleiros, e França mobilizou porta-aviões para defender "interesses econômicos".
Total de vítimas é de cerca de 800 em sete países, a maioria no Irã.
Acompanhe abaixo os últimos desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel e a resposta do Irã:
Submarino dos EUA abate navio de guerra do Irã em águas internacionais
Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, afirmou nesta quarta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que destacou o ataque como uma prova do alcance global dos EUA em sua guerra contra o Irã.
"Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano que pensava estar seguro em águas internacionais. Em vez disso, foi afundado por um torpedo", disse Hegseth a jornalistas.
148 marinheiros desaparecidos
As autoridades do Sri Lanka – país mais próximo ao local do afundamento – disseram ter resgatado 32 tripulantes da fragata IRIS Dena, mas que outros 148 marinheiros estavam desaparecidos, com poucas esperanças de serem encontrados.
Não se sabe ainda o total de mortos no ataque, mas o vice-ministro do Exterior do Sri Lanka afirmou a uma emissora de televisão local nesta quarta-feira que pelo menos 80 pessoas morreram no incidente. Hegseth chamou o ataque de "morte silenciosa" e o primeiro afundamento de um navio inimigo por torpedo pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. "Como naquela guerra", disse ele, "estamos lutando para vencer".
O Pentágono afirmou que um dos principais objetivos da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, iniciada no sábado, é destruir a Marinha do país.
Operação de resgate em alto mar
O ministro do Exterior do Sri Lanka, Vijitha Herath, disse ao Parlamento do país que os iranianos resgatados foram levados às pressas para o principal hospital no sul do país insular, enquanto duas embarcações da Marinha e um avião foram mobilizados para procurar outros sobreviventes.
A fragata emitiu um pedido de socorro ao amanhecer desta quarta-feira e, em menos de uma hora, uma embarcação de resgate chegou à área, a cerca de 40 quilômetros ao sul do porto de Galle, disse o ministro.
A fragata afundou completamente, e apenas uma mancha de óleo permaneceu quando os barcos de resgate da Marinha se aproximaram.
"Estamos mantendo as buscas, mas ainda não sabemos o que aconteceu com o restante da tripulação", disse um oficial da Defesa do Sri Lanka.
"Respondemos ao pedido de socorro em conformidade com nossas obrigações internacionais, já que isso está dentro de nossa área de busca e salvamento no Oceano Índico", afirmou um porta-voz da Marinha do Sri Lanka. "Encontramos alguns corpos na área onde o navio afundou."
rc/ra (AFP, Reuters)
Irã adia funeral de três dias para o aiatolá Khamenei
O Irã adiou o funeral do líder supremo Ali Khamenei – morto no sábado (28/02), primeiro dia dos ataques dos EUA e Israel –, cujo início estava previsto para a noite desta quarta-feira (04/03), com duração de três dias.
A agência de notícias estatal Irna havia informado inicialmente que as pessoas poderiam prestar suas homenagens a partir das 22h, no horário local (15h30 no horário de Brasília), na mesquita Imam Khomeini, em Teerã.
Mais tarde, porém, a televisão estatal iraniana informou que o funeral seria adiado "em antecipação a uma participação popular sem precedentes". A nova data será anunciada posteriormente.
Khamenei, de 86 anos, foi morto no sábado, nos ataques conjuntos entre EUA e Israel. Ele liderava o país desde 1989. Espera-se que ele seja enterrado em Mashhad, sua cidade natal e a segunda maior do país.
rc/ra (DW)
UE sai em defesa da Espanha após ameaça de Trump
A União Europeia (UE) afirmou nesta quarta-feira (04/03) estar preparada para defender seus interesses e os de seus Estados-membros, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha.
A reação americana veio após o governo espanhol se recusar a permitir que os EUA usassem duas bases militares americanas localizadas na região de Andaluzia, no sul do país, como plataforma para a guerra contra o Irã.
"Estamos em total solidariedade com todos os Estados-membros e seus cidadãos e, por meio de nossa política comercial comum, estamos preparados para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da UE", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, em nota divulgada em resposta às ameaças de Trump.
Os EUA pretendiam utilizar a base naval de Rota e a base aérea de Morón, herdadas de um acordo de 1953 entre os Estados Unidos e a Espanha, quando o país era governado pelo ditador Francisco Franco.
Atualmente, o uso das instalações é regido por um acordo de cooperação em defesa entre os dois membros da Otan.
O porta-voz lembrou que "a UE e os Estados Unidos concluíram um importante acordo comercial no ano passado", e disse que a Comissão espera que Washington "respeite integralmente seus compromissos".
Bruxelas "continuará trabalhando por relações comerciais transatlânticas estáveis, previsíveis e mutuamente benéficas", ressaltou.
Este não é o primeiro desentendimento entre Trump e o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez. Há meses, Trump critica a Espanha por não aumentar seus gastos militares para 5% do PIB, em conformidade com a nova meta estabelecida para os países da Otan.
"A Espanha tem sido terrível" e "muito, muito pouco cooperativa", criticou Donald Trump nesta terça-feira.
"Não se pode brincar de roleta russa com o destino de milhões"
O premiê Sánchez rebateu nesta quarta-feira as declarações do presidente dos EUA, afirmando em um pronunciamento televisionado que "a posição do governo da Espanha pode ser resumida em três palavras: não à guerra".
"Não seremos cúmplices de algo que é prejudicial ao mundo e contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo de represálias", afirmou o socialista. "É assim que começam os grandes desastres da humanidade […] não se pode brincar de roleta russa com o destino de milhões."
O primeiro-ministro é um dos poucos líderes europeus a condenar os ataques de Israel ao Irã. Além dele, o presidente francês, Emmanuel Macron, também acusou Israel e Irã de agirem "à margem do direito internacional", mas atribuiu a Teerã a principal responsabilidade pelo conflito.
Sánchez defendeu sua postura dizendo que era "consistente e coerente" com suas posições em relação aos conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza.
O premiê espanhol destacou as lições da invasão americana do Iraque em 2003, que desestabilizou a região, desencadeou um aumento do terrorismo islâmico e fez com que os preços da energia disparassem.
Ele já havia denunciado anteriormente os bombardeios americanos e israelenses ao Irã, chamando-os de ilegais e imprudentes.
A Espanha também foi um dos poucos países europeus a condenar consistentemente Israel por sua guerra em Gaza.
rc/ra (AFP, DW)
Turquia diz ter interceptado míssil lançado pelo Irã
Um míssil lançado a partir do Irã em direção ao espaço aéreo da Turquia, através do Iraque e da Síria, foi destruído por sistemas de defesa aérea da Otan, disseram autoridades turcas nesta quarta-feira (04/03).
"Uma munição balística lançada do Irã, que foi detectada atravessando o espaço aéreo iraquiano e sírio e se dirigindo para o território turco, foi interceptada em tempo hábil por ativos de defesa aérea e antimísseis da Otan estacionados no Mediterrâneo Oriental e neutralizada", afirmou o Ministério turco da Defesa em nota.
"O fragmento de munição que caiu no distrito de Dortyol, na província de Hatay, foi identificado como pertencente às munições de defesa aérea que interceptaram a ameaça após sua destruição no ar", disse a pasta, acrescentando que não houve vítimas.
"Quaisquer medidas necessárias para defender nosso território e espaço aéreo serão tomadas de forma decisiva e sem hesitação", afirmou o Ministério, reiterando que a Turquia "se reserve o direito de responder a quaisquer ações hostis dirigidas ao nosso país."
Após o incidente, Ancara alertou Teerã contra quaisquer medidas que pudessem agravar a guerra. O ministro turco do Exterior, Hakan Fidan, disse ao seu homólogo iraniano, em uma ligação telefônica, que "quaisquer medidas que possam levar à propagação do conflito devem ser evitadas", informou uma fonte do Ministério à agência de notícias AFP.
rc (AFP)
Israel volta a atacar Irã e alvos do Hezbollah no Líbano
Israel iniciou na manhã desta quarta-feira (04/03) novos ataques a alvos militares no Irã e intensificou bombardeios a alvos do grupo islamista Hezbollah no Líbano. As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o início de "uma ampla onda de ataques contra locais de lançamento de mísseis do regime terrorista iraniano, sistemas de defesa aérea e outras infraestruturas".
A agência de notícias iraniana Tasnim relatou explosões na capital, Teerã. Segundo fontes israelenses, esta é a décima onda de ataques desde o início da guerra, no último sábado.
O Exército israelense também informou que um caça F-35 Adir israelense abateu uma aeronave de treinamento Yak-130 iraniana sobre o espaço aéreo de Teerã. Enquanto isso, o Irã realizou disparos contra Israel, de acordo com a FDI, que afirmou que "os sistemas de defesa estão operando para interceptar a ameaça".
Sirenes de alerta de ataque aéreo foram ouvidas durante a noite e na manhã de quarta-feira na região de Tel Aviv.
Desde o início da mais recente guerra contra o Irã, a Força Aérea Israelense realizou mais de 1,6 mil missões e destruiu cerca de 300 plataformas de lançamento de foguetes, segundo seus próprios comunicados.
Bombardeios no Líbano visam redutos do Hezbollah
Israel intensificou seus ataques aéreos no Líbano nesta quarta-feira, atingindo a área ao redor do Palácio Presidencial próximo a Beirute e outras regiões ao sul da capital, bem como redutos do Hezbollah, apoiado pelo Irã. Ao menos 11 pessoas foram mortas.
Um ataque aéreo atingiu um hotel em Hazmieh nesta quarta-feira, o primeiro ataque israelense relatado na área predominantemente cristã nos subúrbios de Beirute, perto do Palácio Presidencial e de várias embaixadas. Alguns quartos foram destruídos, enquanto feridos recebiam atendimento no saguão, segundo imagens divulgadas pela agência de notícias AFP.
Em Aramoun e Saadiyat, ao sul de Beirute – duas cidades fora dos tradicionais redutos do Hezbollah – o Ministério da Saúde do Líbano informou que ataques israelenses mataram seis pessoas e feriram outras oito.
Bombardeios também atingiram um prédio de quatro andares na cidade de Baalbek, no leste do país, longe da fronteira, onde o Hezbollah também tem forte presença. Cinco pessoas morreram, 15 ficaram feridas e três continuam desaparecidas, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano.
O Exército israelense alertou para que as pessoas deixassem "imediatamente" 13 cidades e vilarejos no sul do Líbano na manhã desta quarta-feira, antes de realizar ataques contra o Hezbollah. Um alerta de evacuação semelhante já havia sido emitido para outras 16 cidades e vilarejos do sul.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio nesta segunda-feira, quando o Hezbollah atacou Israel em reação ao assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante a ofensiva dos EUA e Israel no fim de semana.
rc/cn (DPA, AFP)
Irã diz que detém controle do Estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que suas forças detêm o "controle total" do Estreito de Ormuz, uma via crucial para o escoamento do petróleo e do gás natural produzidos no Oriente Médio, por onde transitam navios vindos do Golfo Pérsico em direção ao Mar Arábico.
Segundo os militares iranianos, qualquer embarcação que tente atravessar o estreito correrá o risco de ser atingida por mísseis ou drones. A Guarda Revolucionária também informou ter lançado mais de 40 mísseis contra alvos americanos e israelenses em uma nova onda de ataques.
Nesta terça-feira (03/03), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana está pronta para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz.
"Gargalo" mais importante do mundo
Com apenas 33 quilômetros de largura, o Estreito de Ormuz é considerado o gargalo para o transporte de petróleo mais importante do mundo, segundo a definição da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).
No seu ponto mais estreito, a via pela qual os navios podem navegar tem apenas 3,2 quilômetros de largura em cada direção, o que a torna uma passagem congestionada e perigosa.
Grandes volumes de petróleo bruto extraídos por países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, passam pelo estreito antes de chegarem a países consumidores em todo o mundo.
Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto, condensado e combustíveis sejam transportados por ali diariamente, segundo dados da Vortexa, uma consultoria do mercado de energia e frete.
rc/cn (AFP)
ONG registra quase 800 mortes no Irã
A ONG humanitária Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirmou nesta terça-feira que o número de mortos no Irã desde o início da ofensiva dos EUA e de Israel ao país aumentou para 787, incluindo 165 estudantes e funcionários mortos em um ataque com mísseis a uma escola primária em Minab, no sul do país, no primeiro dia da guerra.
Não ficou claro se o número de mortos incluía baixas militares da Guarda Revolucionária Islâmica.
Em Israel, as autoridades contabilizaram dez mortos, incluindo nove pessoas que morreram em um ataque com um míssil iraniano em Beit Shemesh, perto de Jerusalém, em 1º de março. As Forças de Defesa de Israel não relataram baixas militares.
No Líbano, quarenta pessoas foram mortas em ataques com mísseis israelenses, de acordo com o Ministério da Saúde do país, onde o grupo islamista Hezbollah entrou em confronto com forças de Israel próximo à fronteira.
O Comando Central dos EUA das Forças Armadas dos EUA relataram que seis soldados americanos morreram em um ataque a uma instalação militar americana no Kuwait.
rc (AP)
Trump insiste que Israel não forçou os EUA a atacar o Irã
O presidente dos Estados Unidos insistiu que Israel não pressionou os EUA a lançar os ataques iniciais contra o Irã no último fim de semana.
"Acho que eles iriam atacar primeiro, e eu não queria que isso acontecesse. Então, se alguma coisa aconteceu, talvez eu tenha forçado Israel a agir", disse Donald Trump a repórteres. "Estávamos negociando com esses lunáticos, e na minha opinião, eles [Irã] iriam atacar primeiro."
O presidente afirmou que os ataques tiveram um "impacto muito forte porque praticamente tudo o que eles tinham foi destruído", mas expressou surpresa com o fato de o regime iraniano estar lançando ataques contra muitos de seus vizinhos no Oriente Médio. "Agora esses países estão todos lutando contra eles e lutando fortemente", acrescentou Trump.
Seus comentários parecem contradizer os do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que disse nesta segunda-feira que um plano de Israel para atacar o Irã teria levado o governo Trump a realizar ataques preventivos.
Nesta terça-feira, após as falas de Trump, Rubio fez uma tentativa de se retratar de suas declarações. "Eu disse a vocês, isso tinha que acontecer de qualquer maneira. O presidente tomou uma decisão, e a decisão que ele tomou foi que o Irã não poderia se esconder atrás de seu programa de mísseis balísticos", insistiu o secretário, sem abordar diretamente seus comentários sobre o plano de Israel de atacar primeiro.
"A questão principal é esta: nós, o presidente, determinamos que não seríamos atingidos primeiro."
rc (AFP)
Trump diz que ataques mataram potenciais novos lideres iranianos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (03/03) que os ataques conjuntos EUA-Israel eliminaram potenciais novos líderes do Irã, além de aniquilar a maior parte das Forças Armadas do país.
Ele disse que duas ondas de ataques mataram os prováveis novos líderes e que houve um novo ataque "substancial" a uma reunião na qual seria escolhida a nova liderança iraniana.
Mais cedo, a mídia estatal iraniana e a imprensa israelense noticiaram o bombardeio da Assembleia dos Peritos em Qom, cidade religiosa localizada ao sul de Teerã.
A Assembleia dos Peritos é o corpo de clérigos responsável por nomear, supervisionar e, potencialmente, destituir o líder supremo. O órgão deve eleger o sucessor do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado durante uma onda de ataques dos EUA e de Israel.
"A maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta", disse Trump. "Agora temos outro grupo. Eles também podem estar mortos, de acordo com relatos."
Trump já havia incitado o povo iraniano a se levantar e derrubar seu governo, mas a queda da República Islâmica não estava entre os objetivos principais da operação anunciados por sua gestão, que incluíam a interrupção do programa nuclear iraniano.
No Salão Oval da Casa Branca, ao lado chanceler alemão, Friedrich Merz, Trump afirmou que as forças de defesa iranianas foram dizimadas durante os ataques.
"Quase tudo foi eliminado", disse o republicano. "Eles não têm Marinha, ela foi eliminada. Eles não têm Força Aérea. Ela foi eliminada. Eles não têm sistema de detecção aérea, isso foi eliminado. O radar deles foi eliminado", disse o presidente.
rc/ra (AFP)
França envia porta-aviões ao Mar Mediterrâneo para proteger "interesses econômicos"
Em meio à escala do conflito no Oriente Médio, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou que reforçará significativamente sua presença militar na região.
Em um pronunciamento transmitido em cadeia de televisão na noite desta terça-feira (03/03), Macron confirmou o envio de um porta-aviões ao Mediterrâneo e de uma fragata ao Chipre — onde, um dia antes, uma base britânica em Acrotíri foi atingida no por um drone iraniano —, além de outros aparatos de defesa antiaérea.
Duas bases militares francesas também foram alvos de ataques na esteira da guerra no Irã, deflagrada por Estados Unidos e Israel no fim de semana.
Macron diz que seu governo trabalha para formar uma coalizão que ajudaria a garantir a segurança do tráfego marítimo na região, que foi seriamente comprometido com o conflito e a ameça do Irã a navios que trafegam pelo Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 20% do petróleo mundial.
O conflito despertou temores de uma escalada nos preços do petróleo, o que poderia ter efeitos devastadores para a economia.
Macron disse também querer garantir a navegabilidade do Canal de Suez, no Egito, e das rotas de navegação do Mar Vermelho, que também estão ameaçadas pela expansão do conflito.
"Temos interesses econômicos a proteger, porque preços de petróleo, preços de gás e a situação internacional do comércio estão sendo profundamente prejudicados por essa guerra", afirmou o presidente francês.
ra (Reuters, ots)
Ação de EUA e Israel contra o Irã viola direito internacional, afirma Macron
O presidente francês Emmanuel Macron disse nesta terça-feira (03/03) que as operações militares dos Estados Unidos e de Israel no Irã foram conduzidas "à margem do direito internacional", mas atribuiu a Teerã a principal responsabilidade pelo conflito.
"Os Estados Unidos e Israel decidiram lançar operações militares, conduzidas fora do direito internacional, o que não podemos aprovar", afirmou Macron, ressalvando que o Irã "carrega a responsabilidade principal por esta situação".
O presidente francês justificou suas críticas ao Irã citando seu programa nuclear "perigoso", o apoio a grupos armados na região e as ordens para atirar "em seu próprio povo" durante a onda recente de protestos contra o regime dos aiatolás.
Até então, a Espanha era o único país europeu a condenar a ofensiva contra Teerã.
Mas apesar das críticas de Macron, seu governo já alertou o Irã de que está pronto para adotar ação militar em defesa de seus aliados no Golfo.
"Tomaremos medidas para defender nossos interesses e os de nossos aliados na região, potencialmente permitindo ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir, na origem, a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones", afirma uma nota conjunta assinada por Alemanha, França e Reino Unido.
Crítica a ação de Israel no Líbano
Macron também afirmou que uma operação terrestre de Israel no Líbano seria "uma escalada perigosa e um erro estratégico".
Tel Aviv tem promovido ataques e avançou sobre o território do país vizinho desde que foi alvo de foguetes disparados pela milícia xiita Hezbollah, aliada do regime dos aiatolás em Teerã.
O presidente francês, contudo, ressaltou que o Hezbollah cometeu "um grande erro" ao atacar Israel primeiro e "pôr em perigo o povo libanês".
Macron disse que uma operação terrestre de Israel seria uma "escalada perigosa e um erro estratégico", e apelou ao país para que respeite "o território libanês e sua integridade".
ra (AFP, EFE, DW)
Trump afasta hipótese de Reza Pahlavi liderar novo regime
O presidente americano Donald Trump descartou nesta terça-feira (03/03) a possibilidade de Reza Pahlavi, filho do antigo xá do Irã deposto pela Revolução Islâmica em 1979, assumir a liderança do país numa eventual mudança de regime.
Falando numa coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, ao lado do chanceler federal alemão Friedrich Merz, Trump disse que Pahlavi "parece uma pessoa muito agradável", mas disse preferir um líder de dentro do país.
"Alguém que esteja lá, que seja popular, se é que existe tal pessoa", defendeu Trump.
Mais cedo, o americano havia dito que, na pior das hipóteses, o governo iraniano seria assumido por alguém muito parecido com o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio no fim de semana.
"Acho que o pior cenário seria: nós fazemos isso [atacar o Irã], e aí assume alguém que é tão ruim quanto a pessoa de antes, né?", disse a repórteres. "Isso poderia acontecer. Não queremos que aconteça."
ra (Lusa, AFP)
Aliados europeus reforçam defesa do Chipre após ataque de drone iraniano
A França vai implantar sistemas antimísseis e antidrone em Chipre, afirmou o governo da ilha mediterrânea nesta terça-feira (02/02).
Depois que quatro caças gregos F‑16 chegaram à ilha e duas fragatas gregas partiram rumo às águas cipriotas, o porta‑voz do governo, Konstantinos Letymbiotis, disse que o Chipre garantiu apoio adicional de parceiros-chave europeus.
"A assistência da França foi finalizada e envolve uma fragata equipada com sistemas antibalísticos e antidrone", afirmou.
Letymbiotis acrescentou que "a resposta inicial da Alemanha é positiva e aguardamos sua confirmação oficial e final".
O primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, disse nesta terça-feira que o Reino Unido está enviando “helicópteros com capacidade antidrones” e um navio de guerra, o HMS Dragon, para o Chipre, enquanto o país continua “operações defensivas” na região.
Base foi atacada por drone iraniano
Os anúncios ocorrem após a base da Royal Air Force (RAF) em Akrotiri ter sido atingida na madrugada de segunda-feira por um drone de fabricação iraniana, que atingiu a pista. Outros dois foram interceptados.
No domingo, o primeiro‑ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou que havia concordado com um pedido dos EUA para usar bases militares britânicas para um “propósito defensivo específico e limitado”.
Essas bases ficam em Gloucestershire, no oeste da Inglaterra, e na base conjunta Reino Unido‑EUA em Diego Garcia, no Oceano Índico.
Starmer insistiu que a base de Acrotíri não está sendo usada por bombardeiros dos EUA.
O governo do Chipre afirmou que buscaria garantias de que as bases britânicas em seu território seriam usadas apenas para fins humanitários.
Segundo Letymbiotis, o pequeno país insular "não participou nem participará de nenhuma operação militar", desempenhando papel "estritamente humanitário".
As Forças Armadas britânicas ajudaram a abater vários drones no Oriente Médio nas últimas 24 horas, de acordo com o ministério da Defesa britânico, incluindo sobre a Jordânia e o Catar.
md/ra (AFP, ots)
Trump ameça cortar relações comerciais com a Espanha por falta de apoio a ação no Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (03/03) que os Estados Unidos iriam cortar todo o comércio com a Espanha, depois que o país europeu se recusou a permitir que os militares americanos usassem suas bases para missões relacionadas aos ataques ao Irã.
"A Espanha tem sido terrível", disse Trump a repórteres, acrescentando que havia instruído o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a "cortar todas as relações comerciais" com o país.
"Vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha", acrescentou.
Trump também afirmou estar descontente com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por este não ter aderido ao ataque de EUA e Israel ao Irã, embora ele tenha permitido que as forças americanas usem bases no Reino Unido.
"Não estou feliz com o Reino Unido", disse Trump ao se encontrar nesta terça-feira (03/03) na Casa Branca com o chanceler federal alemão, Friedrich Merz.
"Levamos três, quatro dias para descobrir onde poderíamos pousar", disse Trump. "Não estamos lidando aqui com o Winston Churchill", acrescentou o republicano, se referindo ao lendário primeiro-ministro britânico, que teve grande responsabilidade pela vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
md/ra (AFP, AP, Reuters)
Espanha defende recusa em ceder bases espanholas aos EUA
O governo espanhol defendeu sua decisão de negar aos EUA a utilização de bases operadas conjuntamente em Rota e Morón, no sul do país, para realizar ataques contra o Irã.
Óscar López, ministro espanhol da Transformação Digital e ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro Pedro Sánchez, reagiu às críticas do governo de Israel ao insistir que a Espanha é um membro confiável da Otan.
"A Espanha é um país sério e um parceiro confiável, e também um país que ama o direito internacional e a paz", sublinhou López.
O ministro afirmou que a posição do país sobre a ofensiva contra o Irã é muito clara. "A Espanha, naturalmente, exerce sua soberania e defende o direito internacional e uma ordem baseada em regras", disse.
Sánchez – um dos líderes mundiais mais críticos à guerra travada por Israel contra o grupo islamista Hamas na Faixa de Gaza – condenou publicamente o que chamou de "ação militar unilateral" dos EUA e de Israel contra o Irã, alertando que ela contribui para “uma ordem internacional mais hostil e incerta”.
Em postagem no X nesta segunda-feira, o ministro do Exterior de Israel, Gideon Sa'ar, acusou Sánchez de ceder a terroristas e regimes opressivos. "Primeiro, o Hamas agradeceu a Sánchez", escreveu. "Depois, os [rebeldes iemenitas] houthis agradeceram a Sánchez. Agora o Irã o agradece. Isso é estar do 'lado certo' da história?"
Até agora, a Espanha foi o único país europeu a criticar abertamente a ação americana no Irã. Leia mais sobre o tema aqui.
Trump critica premiê britânico
Diferentemente da Espanha, o Reino Unido concordou em autorizar o uso por forças americanas de suas bases na Inglaterra e em Diego Garcia, no Oceano Índico, para abater mísseis balísticos iranianos e atacar estoques de armas.
A autorização, porém, veio após resistência inicial do premiê britânico Keir Starmer, que ainda assim recusou ataques a outros alvos, o que irritou o presidente americano Donald Trump.
"Não estamos lidando com Winston Churchill", queixou-se Trump nesta terça-feira (03/03), comparando Starmer ao premiê que governou o Reino Unido durante a Segunda Guerra.
Mesmo após a base britânica de Acrotíri, no Chipre, ser atingida por um drone iraniano no fim de semana, Starmer insistiu que o Reino Unido "não se juntará à ação ofensiva" contra o Irã. Numa indireta a Trump, também declarou que seu governo não acredita em "mudança de regime vinda dos céus [por bombardeio]".
Ainda assim, Starmer anunciou nesta terça o envio de um destróier da Marinha britânica e de helicópteros Wildcat com capacidade antidrone como parte das "operações defensivas".
O governo britânico afirma ter abatido drones nos espaços aéreos de Jordânia e Iraque.
rc/ra (ots)