STF e Planalto fazem eventos para lembrar 3 anos dos atos golpistas de 8 de janeiro

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participarão dos atos pela democracia

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Manifestantes invadiram e depredaram sedes dos Três Poderes no início de 2023 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará nesta quinta-feira, 8, um evento para marcar os três anos dos atos de 8 de janeiro de 2023, quando centenas de apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

A programação começa às 14h30 com a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”.

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Em seguida, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”. Depois, o Supremo promove uma roda de conversa com profissionais da imprensa e, por último, um painel com especialistas.

Entre os ministros, apenas a presença do presidente da Corte, Edson Fachin, foi confirmada até o momento. O Judiciário está de recesso durante todo o mês de janeiro.

Este é o terceiro ano consecutivo em que o Supremo realiza eventos em memória dos atos golpistas. Mas está é a primeira vez em que o evento ocorre após a condenação dos responsáveis por articular os ataques.

Para o STF, o 8 de janeiro fez parte do plano golpista que buscava manter Bolsonaro no poder. O ex-presidente foi condenado em setembro a 27 anos e três meses de prisão, e a pena começou a ser cumprida em novembro.

Palácio do Planalto também realizará evento

O Palácio do Planalto também vai realizar um evento para marcar os três anos dos atos golpistas na quinta, às 10 horas. Segundo a Secom, o evento terá a participação de autoridades e representantes da sociedade civil, sem detalhar nomes.

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participarão dos atos pela democracia. A decisão foi comunicada ao Palácio do Planalto no começo da semana.

Motta e Alcolumbre foram convidados para participar dos eventos, que devem enfatizar a importância da democracia e o trabalho do Judiciário na condenação dos participantes dos ataques aos Três Poderes, mas a possibilidade de desgaste com a oposição fez a dupla declinar da ideia.

Além disso, o evento deve ser marcado pelo veto do PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado. O projeto reduz as penas dos condenados pelas invasões aos prédios públicos em 2023 e beneficia diretamente Bolsonaro.

O evento acontece desde 2024 no Palácio do Planalto e conta com a participação de ministros palacianos, além de autoridades do Legislativo e do Judiciário. Neste ano, apenas o Planalto e o STF realizarão eventos para marcar a lembrança do terceiro ano após os ataques. O Congresso Nacional não agendou eventos oficiais sobre o tema.

Essa será a segunda vez em que um presidente do Senado não participa da solenidade. Ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) marcou presença apenas em 2024, deixando de comparecer no ano seguinte. Na ocasião, designou a missão ao então vice-presidente do Salão Azul, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Já a Câmara dos Deputados nunca participou dos eventos de lembrança aos ataques de 8 de janeiro. Com os dois pés em cada lado da Casa, Hugo Motta e seu antecessor, Arthur Lira (Progressistas-AL), optaram por evitar desgastes com parte do Salão Verde.