STF forma maioria para manter prisão de deputado estadual Thiago Rangel

Parlamentar foi preso durante Operação Unha e Carne, que investiga uma suposta organização criminosa que operava um esquema de fraudes em licitações e contratações de serviços no âmbito da Secretaria estadual de Educação do Rio de Janeiro

Thiago Rangel (Avante-RJ): deputado estadual foi preso pela PF
Thiago Rangel (Avante-RJ): deputado estadual foi preso pela PF Foto: Reprodução

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta quinta-feira, 7, para manter a prisão do deputado estadual do Rio de Janeiro Thiago Rangel (Avante), preso durante Operação Unha e Carne por suposto envolvimento de desvios na Secretaria de Educação do estado.

Os magistrados Flávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam, sem ressalvas, o entendimento do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, de que a detenção deveria ser mantida “independentemente de manifestação” da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Em julgamento virtual, os ministros da Corte decidem se mantêm ou derrubam a decisão assinada por Moraes na quarta-feira, 6. Ainda falta o voto da ministra Cármen Lúcia. A sessão teve início na manhã desta quinta e tem previsão de encerramento ainda hoje.

Ao fundamentar a manutenção da prisão, Moraes anotou que a regra que permitiria a apreciação da custódia pela Alerj não deveria incidir no caso, uma vez que tal prerrogativa tem sido “desvirtuada para a perpetuação de impunidade de verdadeiras organizações criminosas infiltradas no seio do Poder Público”.

O relator ainda indicou que a Corte tem validado decisões de assembleias estaduais sobre medidas judiciais contra seus integrantes, mas propôs uma rediscussão desse entendimento, alegando que o direito tem sido usado para “garantir um sistema de total impunidade” aos parlamentares.

“Efetiva e lamentavelmente, as assembleias legislativas de diversos estados têm utilizado o entendimento desse Supremo Tribunal Federal para garantir um sistema de total impunidade aos deputados estaduais; sendo que, em 13 prisões de parlamentares estaduais por infrações sem qualquer relação com o exercício do mandato, 12 foram afastadas, sendo oito delas no Estado do Rio de Janeiro”, afirmou o ministro.

Deputado estadual preso

Polícia Federal deflagrou no dia 5 de maio a 4ª fase da Operação Unha e Carne. Ao todo, os agentes cumprem 7 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão. Entre os detidos está o deputado estadual Thiago Rangel.

As ordens judiciais foram expedidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e estão sendo executadas na capital fluminense e em três cidades do interior do estado.

Como funcionava o esquema de fraude

As investigações apontam para um sofisticado esquema de direcionamento de contratações. Segundo a PF, escolas estaduais eram orientadas a contratar empresas previamente selecionadas que possuíam vínculos diretos com os membros da organização criminosa.

Além do crime de organização criminosa, os envolvidos podem responder por:

— Peculato (desvio de dinheiro público);

— Fraude à licitação;

— Lavagem de dinheiro.

Operação também prendeu Bacellar

A Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para cumprir diretrizes do STF (ADPF 635). O foco da missão é a asfixia financeira e a ruptura de conexões entre grupos criminosos e agentes públicos no Rio de Janeiro.

Vale lembrar que esta mesma operação já teve desdobramentos de alto impacto na política fluminense, sendo a responsável pela prisão anterior do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ), ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).