STF: Escolha de Bolsonaro afasta Lula da prisão

Crédito: Samuel Figueira/TRF 1ª Região

(Crédito: Samuel Figueira/TRF 1ª Região)

Ensinou Abraham Lincoln (1809-1865), o décimo-sexto presidente americano: você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo.

Jair Bolsonaro continua enganando muitas pessoas, mas não será para sempre. Políticos populistas, corporativistas e mentirosos, via de regra, em cargos majoritários, têm vida curta, exceto nas protoditaduras, é claro.

O amigão do Queiroz se elegeu surfando na onda moralizante da Lava Jato e no antipetismo que tomou conta do País. Não por acaso, trouxe Sergio Moro para seu governo como uma espécie de certificado de garantia.

Tão logo seus pimpolhos caíram nas garras da Justiça – Flávio ‘Panetone’ Bolsonaro, por conta das rachadinhas, e Eduardo ‘Bananinha’ Bolsonaro, investigado no inquérito das fake news – o Jair adormecido ressurgiu das trevas.

O Bolso-pai correu para as barbas de Dias Toffoli e, posteriormente, após a prisão de Fabrício Queiroz, para a calva de Gilmar Mendes, a fim de uma interlocução, digamos, mais próxima com os supremos homens da lei.

Ao que parece, funcionou. Quem não se lembra da canetada monocrática de Toffoli, em pleno plantão do judiciário, que causou a paralisação do inquérito do bolsokid Flávio? E da decisão de Mendes, que mandou Queiroz para casa?

Após os arroubos autoritários de abril e maio, beirando o golpismo explícito, e isolado no Congresso, o maridão da ‘Micheque’ voou para o colo do Centrão e, por lá, se aboletou feito um bebê canguru no marsúpio da mamãe saltitante.

Com conchavos políticos assumidos com os demais Poderes (apoio à reeleição ilegal de Maia e Alcolumbre e certas nomeações estratégicas, como PGR e STF), cargos e verbas foram fartamente distribuídos no Executivo.

Hoje, Bolsonaro só engana seus ‘minions’. Ninguém, com mais de dois neurônios, o enxerga como o “outsider” que veio para detonar o sistema. Ao contrário. Percebe-se claramente que voltou a ser quem sempre foi: um mascate do baixo clero.

Ao nomear Augusto Aras para a Procuradoria Geral da República, sabedor de suas relações estreitas com o PT, e de sua posição bélica em relação à Lava Jato, o ‘coiso’, após forçar a saída de Moro, decretou seu alinhamento com os anti-Lava Jato.

Já fazendo a alegria dos barões do Centrão, o papis do arruaceiro digital Carlucho (que anda sumido, toc toc toc) resolveu alegrar também os cafofos petistas. Indicou para o STF mais um magistrado contrário à prisão após condenação em segunda instância.

A votação que possibilitou a soltura do chefe da quadrilha petista – conforme o MPF qualificou Lula – foi apertada, apenas um voto de diferença, o de Gilmar Mendes, que mudou de ideia após tucanos serem fisgados pela Lava Jato.

A esperança residia justamente na nomeação de novos ministros para as vagas dos Mellos (Celso e Marco Aurélio), alinhados ao combate irrestrito à corrupção e à impunidade reinantes em nosso País.

Com a saída dos Mellos, e a esperada entrada de ministros contrários às chicanas jurídicas que garantem a liberdade de criminosos, o placar se reverteria, e Lula e tantos outros condenados teriam o destino que merecem.

Se o próximo indicado pelo presidente também for contrário à prisão após condenação em segunda instância, como é Kassio Nunes, bye bye “Luladrão, seu lugar é na prisão”. Tudo não terá passado de simples ilusão.

Esperar que esse Congresso vote e aprove uma emenda constitucional, para deixar clara e inequívoca tal possibilidade, é esperar que um petista admita que Lula é mesmo corrupto e lavador de dinheiro. Mais fácil boi voar.

Temos de admitir: Bolsonaro fingiu direitinho.

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