SÃO PAULO, 29 AGO (ANSA) – Por Lucas Rizzi – O grupo automotivo Stellantis, líder absoluto no Brasil com marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, está de olho em oportunidades no setor de economia circular em um país onde apenas 1,5% dos veículos é reaproveitado ao fim de sua vida útil, com um mercado potencial que estimativas conservadoras colocam em pelo menos R$ 2 bilhões por ano.
É o que diz Laurence Hansen, vice-presidente sênior global de Economia Circular da companhia, que acaba de inaugurar um centro de desmontagem veicular em Osasco, na Grande São Paulo, para começar a desbravar um mercado ainda inexplorado por montadoras no gigante latino-americano.
“O Brasil é muito importante e estratégico. A cada ano, 2 milhões de veículos encerram seu ciclo de vida no país, porém só existe solução para 1,5% deles”, afirmou Hansen em uma mesa-redonda com um pequeno grupo de meios de imprensa em São Paulo, incluindo a ANSA. “Se considerar esse 1,5%, existe um mercado potencial de R$ 2 bilhões”, acrescentou.
A executiva está no Brasil justamente para conhecer de perto as oportunidades em economia circular no país, em um cenário onde a Stellantis já conta com operações bem estruturadas nesse setor na América do Norte e na Europa, enquanto a América do Sul ainda engatinha.
Para efeito de comparação, o Japão, referência global nessa área, tem uma taxa de 80% de reaproveitamento de veículos em fim de vida útil. Se o Brasil alcançasse esse percentual, o setor poderia chegar a R$ 100 bilhões por ano.
“Sempre podemos melhorar as operações [na Europa e na América do Norte], descobrir negócios, mas aqui tudo está para ser construído, e as oportunidades no mundo residem onde os mercados não estão estruturados”, ressaltou a vice-presidente, garantindo que a unidade de Economia Circular da Stellantis é lucrativa.
“Dependendo do negócio e da região, alguns são mais lucrativos que outros, mas estamos fazendo um bom dinheiro”, assegurou.
Atualmente, o mercado de desmanche de automóveis no Brasil é pulverizado entre cerca de 5 mil operadores, a maioria deles com gestão familiar e capaz de desmontar apenas cinco carros por mês. Já o Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças, inaugurado há duas semanas pela Stellantis em Osasco e fruto de um investimento de R$ 13 milhões, pode processar até 8 mil automóveis por ano.
Essa é apenas a segunda estrutura desse tipo da Stellantis no mundo; a outra fica na histórica fábrica de Mirafiori, em Turim, na Itália.
Os investimentos em economia circular fazem parte da estratégia do grupo automotivo para zerar as emissões líquidas de carbono até 2038, mas também buscam proteger a companhia contra eventuais riscos futuros, incluindo mudanças regulatórias, geopolíticas ou até mesmo no desejo dos consumidores.
Segundo Hansen, a venda de carros novos já não cresce em todos os lugares, o que impõe a necessidade de uma abordagem pragmática. “Tentamos fazer negócios onde pudermos. Faz parte do DNA da Stellantis estar na vanguarda, e é sempre melhor ser parte da história logo no começo do que se juntar depois”, salientou. (ANSA).