A fabricante de automóveis Stellantis anunciou, nesta sexta-feira (6), que assumirá um impacto de 22 bilhões de euros (aproximadamente 136,6 bilhões de reais) em seus resultados de 2025 devido a um menor ritmo de venda de veículos elétricos.
O anúncio desta gigante, proprietária de marcas como Jeep, Fiat e Citroen, é o sinal mais recente das dificuldades que os fabricantes tradicionais enfrentam para gerir a transição elétrica a partir dos motores de combustão.
Destes 22 bilhões de euros de custos excepcionais, 14,7 bilhões (cerca de 91,1 bilhões de reais) correspondem, principalmente, à revisão da linha de produtos nos Estados Unidos, onde o mercado de carros elétricos está estagnado, devido a uma regulamentação menos favorável.
“É um custo elevado para um ‘reset’ estratégico da nossa empresa”, explicou Antonio Filosa, novo diretor-geral da Stellantis, à AFP.
“75% dos custos estão vinculados a hipóteses estratégicas que devemos corrigir, principalmente um excesso de otimismo quanto ao ritmo de adoção da eletrificação, especialmente na América do Norte, mas também na Europa”, acrescentou.
Este anúncio fez despencar a cotação do grupo ítalo-franco-americano, que, por volta das 14h (10h no horário de Brasília), caía 27% na bolsa de Paris, ficando abaixo dos 6 euros. Em um ano, sua cotação foi reduzida à metade.
Stellantis, a quinta fabricante a nível mundial, já sofreu, em 2024, uma queda de 70% no seu lucro líquido e de 17% nas suas vendas, registrando um prejuízo de 2,3 bilhões de euros (aproximadamente 14,2 bilhões de reais) no primeiro semestre de 2025.
Os custos excepcionais anunciados colocarão automaticamente a empresa no vermelho durante todo o ano de 2025, e nenhum dividendo será pago, informou o grupo ao analistas financeiros.
Stellantis segue o exemplo das americanas General Motors e Ford, que, nas últimas semanas, anunciaram medidas similares vinculadas à revisão de suas ambições em veículos elétricos.
O mercado dos veículos elétricos nos Estados Unidos é prejudicado pelas decisões da administração de Donald Trump, que reduziu as exigências em matéria de emissões contaminantes e pôs fim a um subsídio federal para a compra.
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