O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, sob gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg), estreia a exposição Foto de Quebrada no dia 14 de abril, às 10h30. A mostra, que reúne a produção visual das periferias brasileiras, será aberta com uma roda de conversa entre o curador do Museu, Jairo Malta, e as lideranças e curadores do coletivo Foto de Quebrada (DF) e do Projeto Click na Favela (SP), que compartilham seus processos, olhares e vivências na construção das narrativas visuais que compõem a exposição, seguida de um set com o DJ Pink Jay.
Selecionada pelo chamamento “Favela Ocupa” do Museu das Favelas, a mostra consolida a instituição como uma plataforma de fomento, difusão e fortalecimento das vanguardas periféricas. Com curadoria institucional de Jairo Malta, e curadoria de Bruna Paz, Cled Pereira, Gu da Cei e Rosa Luz, a exposição reúne 43 obras, divididas entre fotógrafos selecionados pela convocatória nacional do Coletivo Foto de Quebrada (DF) — que desafia o eixo tradicional das artes ao pautar a fotografia sob a ótica de quem vive o território — e um núcleo dedicado ao Projeto Click na Favela (Paraisópolis/SP). Esta cartografia visual conjunta revela a potência da imagem como ferramenta de formação e circulação de novos imaginários, provando que a favela é, hoje, uma das maiores produtoras de conteúdo e estética do país.
“Reunir esses coletivos no Museu é abrir espaço para quem registra o cotidiano periférico, entende essa realidade e a transmite de dentro do território para quem vive nele. Somos a vitrine e a oportunidade para que esses artistas apresentem essas vivências com a legitimidade que merecem”, diz o curador da exposição.
De acordo com Daniel Eduardo, fundador do Projeto Click na Favela, essa exposição é sobre o que acontece quando um sonho encontra oportunidade e alguém decide não soltar mais. “Quero que, ao olhar para essas imagens, as pessoas enxerguem além do enquadramento. Que percebam que ali existem histórias — trajetórias que foram cultivadas com presença, insistência e fé”, declara.
“Esperamos que o público se encante com a diversidade e a riqueza das quebradas brasileiras que, de Norte a Sul, reinventam olhares sobre si e sobre o país. É algo que as pessoas poderão conferir de perto na exposição”, completa Gu da Cei, curador do Foto de Quebrada.
Já para Natália Cunha, Diretora Executiva do Museu das Favelas, a nova exposição reafirma uma missão fundamental da instituição: manter vivo o propósito de garantir o protagonismo das favelas, por meio da diversificação de projetos, da ampliação de vozes e do fortalecimento dos muitos atores que constroem, todos os dias, a potência desses territórios. “Ao ampliar nossos alcances e reconhecimento, reafirmamos o Museu das Favelas como uma plataforma de legitimação, circulação e criação de novos imaginários — onde a favela é potência, narrativa e sujeito de sua própria história, estética e futuro”, afirma.
Artistas Foto de Quebrada
Alonso Pafyeze (MG), Ana Julia Viaro (SP) , Aquila (DF), Barnabé (SP), Diego Oliveira (GO), Eloiza Fernandes (SP), Ester Cruz (DF), Felipe Faria (SP), Flavia Taverna (SP), Gabriela Mendes (DF) , Helen Salomão (BA) Henrique Janssen (DF), Igor Miranda (SP), Jhey Costa (SP), João Oliveira (SP), Kayo Magalhães (DF), Klewerson Lima (PA), Lara Lis (GO), Livia Brigido Nascimento (SP), Luan Henrique Gomes (SP), Medusa (PE), Monique Caciano da Silva (SP), Mylena Tiodósio (DF), Pandora (DF), Pedro Dutra (SC), RaH BXD (RJ), Rafael Cardoso (SP), Raflash (DF), Rayka Rocha (RR), Renato Moulin (ES), Rhuan Gonçalves (RJ), Sabrina Santiago (DF), Shall (RJ), Suljeira (PE), Suzana Vidal (SP), Thaiza (SP) Thiago Silva (SP), Virginia Dandara (MG), Visceral (RJ), Vitória Vieira (SP), Walter Mauro (BA), Webert da Cruz (DF), Zahir (DF).
Artistas Click na Favela
Ana Julia Viaro, Eloiza Fernandes, Felipe Faria, Jhey Costa, Livia Brigido Nascimento, Luan Henrique Gomes, Monique Caciano da Silva, Rafael Cardoso, Suzana Vidal, Thiago Silva, Vitória Vieira
Programação especial: Imaginação Radical – 100 anos de Frantz Fanon
Ainda em abril, o Museu dedica parte da sua programação a um aprofundamento nas pautas descoloniais e antirracistas. Diante do crescente interesse do público e do sucesso da exposição que homenageia o legado de Frantz Fanon, a instituição apresenta uma programação que propõe a Imaginação Radical como ferramenta para pensar o presente e futuros possíveis para as cidades. A agenda do mês costura a urgência do Dia dos Povos Indígenas com o legado martinicano, transformando o Museu em um hub onde a teoria e a ação se encontram para redefinir o que o Brasil entende por patrimônio e identidade.
O diálogo direto com a obra de Fanon ganha força no sábado, 18 de abril, às 15h, com uma edição especial do encontro E Depois do Baile?. O Núcleo de Educação do Museu recebe a artista visual Shirley Espejos (Espejismo) — que integra a exposição com a obra Olho para você e encontro um pouco mais de mim (2023) — para uma conversa sobre sua produção de colagens manuais, que investiga o resgate e a ressignificação da identidade indígena nos contextos urbanos, além de refletir sobre a representação de corpos racializados. A mediação será realizada pelo artista educador O tal do Ale.
No sábado seguinte, 25 de abril, o pensamento fanoniano toma conta de dois momentos centrais. Às 11h, o público é convidado a participar da Visita Temática: Corpos colonizados, imaginações radicais, que acontece dentro da própria exposição Imaginação Radical. Com mediação do educador Diogo Romão, a atividade propõe uma reflexão crítica sobre os 526 anos do “descobrimento” do Brasil, investigando como os processos coloniais alteraram a relação dos povos originários e negros com seus corpos e territórios (vagas limitadas a 15 pessoas, com inscrição prévia pelo site).
No mesmo dia, às 15h, o debate se expande para a 17ª edição da Pesquisa de CRIA – Encontro de Saberes. O encontro convida a psicóloga Erica Cristina e o divulgador científico Vinaum para discutir ‘A Imaginação Radical nas vivências das quebradas’, utilizando a teoria de Fanon para entender o território como potência de reinvenção e investigar estratégias coletivas de sobrevivência nas periferias brasileiras.
SERVIÇO:
Local: Largo Páteo do Colégio, nº 148, Centro Histórico de São Paulo
Ingressos: Entrada gratuita (retirada de ingressos na recepção ou via Sympla)
Funcionamento: Terça a domingo, das 10h às 17h (Permanência até 18h)
Programação de Abril
Terça-feira 14/04, das 10h30
Abertura da exposição Foto de Quebrada + Bate-papo
Sábado, 18/04, às 15h
E depois do baile? com Shirley Espejos e O tal do Ale
Sábado, 25/04, às 11h
Visita temática: Corpos colonizados, imaginações radicais (mediante inscrição prévia)
Sábado, 25/04, às 15h
Pesquisa de CRIA – Encontro de Saberes, com Erica Cristina e Vinaum
Exposições em Cartaz:
Foto de Quebrada: Estreia 14/04 (Até 26/07/2026). Curadoria: Bruna Paz, Cled Pereira, Gu da Cei, Rosa Luz; Curadoria Institucional: Jairo Malta.
Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon: Até 24/05/2026. Direção Artística e Curadoria: Thaís de Menezes; Curadoria Institucional: Jairo Malta.
Sobre Vivências (Longa duração). Curadoria: Gil Marçal, Jairo Malta, Leandro Mendes (in memoriam), Vera Cardim, Oswaldo Faustino.
SOBRE O MUSEU DAS FAVELAS
O Museu das Favelas é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (idg). Possui a missão de conectar e garantir o protagonismo das múltiplas favelas brasileiras, preservando suas memórias e potencializando suas produções culturais por meio de exposições, programações, ações educativas, pesquisa e difusão de informação.
Através de sua relevância cultural, o Museu das Favelas recebeu o Selo de Igualdade Racial 2025, que destaca iniciativas que promovem a equidade racial e a diversidade no mercado de trabalho. Também foi premiado pela APCA 2024, na categoria Música Popular – Projetos Especiais, com a exposição ‘Racionais MC’s: O Quinto Elemento’, sendo também eleita pelo Portal Pepper como a Melhor Exposição do Ano.
Na temporada de 2026, por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, o Museu tem a Meta como mantenedora, patrocínio do Mercado Livre, apoio da EY e EATON, cooperação da Unesco e parceria institucional da CUFA – Central Única das Favelas.
Localizado no Largo Páteo do Colégio, nº 148, o Museu das Favelas possui entrada gratuita, funcionando de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. Saiba mais em: museudasfavelas.org.br.
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