O jovem Thiago Aparecido Duarte de Souza, de 20 anos, morreu na terça-feira (20) após 12 dias internado no Hospital Geral de São Mateus, na zona leste da capital. No último dia 8, Thiago foi baleado na cabeça por um policial militar à paisana. As informações são do Uol.
De acordo com a mãe do jovem, ela não teve permissão para ver o filho durante o período de internação. Segundo a família, Thiago tinha atraso intelectual e teria saído de casa para comprar pão e leite. Ele foi atingido por um disparo à queima-roupa após dizer que estava desarmado e se negar a deitar no chão.
Ainda segundo o Uol, o caso foi registrado na delegacia pelo próprio atirador, o cabo Dênis Augusto Soares, 37, que alegou legítima defesa ao dizer que a vítima tentou sacar um revólver calibre 38.
Thiago estava internado sob custódia policial, já que foi preso sob a acusação de porte ilegal de arma de fogo. Conforme a diarista Queli Duarte, de 40 anos, mãe do jovem, ela não teve permissão para visitar o filho na unidade de saúde, mesmo com ordem judicial a seu favor.
“Tentei várias vezes ver o Thiago, fui impedida, mesmo com ordem de juiz, eles não deixaram eu ver o Thiago”, disse Queli em vídeo divulgado pela Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, movimento social de resistência a ações violentas em áreas periféricas.
Em nota ao Uol, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que manteve uma restrição de visita a Thiago porque ele tinha suspeita de covid-19, e por isso foi atendido em um leito exclusivo para pessoas contaminadas pelo novo coronavírus.
Sobre a causa da morte, a pasta informou que, “apesar de todos os cuidados, o paciente evoluiu negativamente, teve parada cardíaca nesta terça-feira e não respondeu às condutas médicas”.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o inquérito sobre o caso “foi encaminhado para manifestação” ao Ministério Público de São Paulo e à Justiça, mas ainda não retornou ao 54º DP (Distrito Policial), onde a Polícia Civil concentra as apurações.