*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência infantil, violência sexual e estupro de vulnerável. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 100 ou 190 e denuncie.
A Polícia Civil de São Paulo detalhou, em coletiva de imprensa realizada neste domingo, 3, os desdobramentos da investigação sobre o estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, ocorrido na comunidade União de Vila Nova, zona leste da capital. Um homem de 21 anos, identificado como Alessandro Martins dos Santos, foi preso em Brejões, no interior da Bahia, e deve ser transferido para São Paulo nesta segunda-feira, 4.
Além do adulto, três adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, foram apreendidos na sexta-feira, 1º. Um quarto menor envolvido segue foragido. “Tem uma pessoa foragida ainda, que é o Christian (adolescente agressor). Mas temos equipes negociando com a família nesse momento para ele se entregar, que é melhor pra ele”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves. O grupo responderá por estupro de vulnerável, corrupção de menores e divulgação de imagem de criança ou adolescente.
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O Estadão não conseguiu contato com a defesa do adulto preso e dos adolescentes apreendidos.
Pressão da comunidade e denúncia
O crime ocorreu no dia 21 de abril, mas a polícia só tomou conhecimento do caso em 24 de abril por meio de uma denúncia feita pela irmã de uma das vítimas. A delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), informou que a família sofreu pressão da comunidade para não registrar o boletim de ocorrência. “Eles queriam resolver entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento”, afirmou a delegada.
As vítimas foram atraídas pelos agressores, que eram vizinhos e conhecidos das crianças, com o pretexto de empinar pipa. O crime foi registrado em vídeo pelos próprios autores e compartilhado via WhatsApp. Nas imagens, as crianças aparecem gritando e pedindo para que os abusos cessassem. Segundo os depoimentos colhidos, a iniciativa da gravação teria partido de Alessandro Martins dos Santos.
Eles gravaram o estupro de vulneráveis e Alessandro compartilhou os vídeos no WhatsApp com conhecidos. As imagens foram encaminhadas entre membros da comunidade que se indignaram com o episódio.
Em um dos vídeos, de 63 segundos, as crianças choram, gritam e falam ao menos nove vezes “para” e cinco vezes “eu não quero”. Enquanto isso, os violadores riem, insistem no ato e agridem as vítimas.
“Um dos adolescentes falou que inicialmente era uma brincadeira que acabou escalando. Mas a iniciativa de gravar os vídeos foi do maior. Foi ele que começou as brincadeiras, segundo eles. E ele começou a gravar no celular dele. E, depois, pediu para outro menor gravar”, diz Janaína.
‘Não consegui ver o vídeo até o fim’
Durante a entrevista coletiva deste domino, Nico Gonçalves classificou as imagens como “terríveis”. “Em 45 anos de polícia, não consegui ver o vídeo até o fim, cena terrível, inesquecível, vai ficar no meu subconsciente por muito tempo”, afirmou.
O prefeito Ricardo Nunes informou que as vítimas e seus familiares foram retirados da comunidade e recebem apoio do Conselho Tutelar e do Projeto Bem-Me-Quer.
O menino de 10 anos, cuja mãe é dependente química, foi encaminhado a um serviço de acolhimento institucional com outros dois irmãos menores. A segunda vítima, de 7 anos, está abrigada com a mãe em uma unidade da Vila Reencontro.
A polícia aguarda o depoimento formal do adulto preso e a perícia em aparelhos celulares para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público.
* Com informações do Estadão Conteúdo