Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Na última sexta-feira (24), a empresa de casamentos Florearte, sediada em Vinhedo (SP) e com mais de seis anos de experiência no mercado, deu entrada em um pedido de falência. Essa atitude fez com que dezenas de noivas ficassem aflitas com a possibilidade de terem ou não as suas festas, já que o estabelecimento possui contratos para eventos até o fim de 2023. As informações são da Universa.

Um dos pontos da crise enfrentada pela empresa é a situação das sócias Ana Caroline Gerola e Sara Regina Francelino Alencar. Em entrevista ao portal, Sara afirmou que está afastada da Florearte desde janeiro deste.

“Eu exerci o direito legal de me retirar da Florearte. Desde então fui proibida de pisar na empresa e cortaram todo meu acesso a informações de projetos e financeiros. A Carol se recusa a proceder com a baixa da minha saída da sociedade e está se evadindo da mesma forma que está fugindo de clientes e fornecedores. Ela se apossou de tudo e iniciou uma gestão unilateral da empresa, me privando do acesso até mesmo ao acervo. Devido à situação, ingressei com uma ação judicial que está em trâmite há mais de 3 meses, aguardando a decisão do juiz de me liberar do contrato”, informou.

Outro ponto são as dívidas no total de R$ 540 mil que a empresa possui com 70 fornecedores.

Após a declaração de falência, ao menos 40 casais entraram com processos para pedir o ressarcimento dos valores pagos pelas festa de casamento e a rescisão de contrato. Contudo, a Florearte afirmou que “não consegue mais remunerar os empregados, nem pagar os fornecedores e prestadores de serviços”. Além disso, não vai conseguir “exercer o seu objeto social” já que não possui capacidade de gerar lucro. O que significa que ela não vai conseguir honrar com os seus acordos e não tem previsão de quando isso pode acontecer.

A advogada Lucila Rodrigues informou que já foi procurada por pelo menos 40 casais e que, por enquanto, a empresa não está retornando os contatos dos clientes. “Tem casamentos marcados já para os próximos dias e os noivos estão desesperados. Me parece, a princípio, que seria interessante uma ação coletiva. Não dá para as pessoas cumprirem o contrato se não receberem aquilo que foi acordado.”

Em relação à falta de comunicação, a advogada explicou que a empresa pode ter que realizar ressarcimento por danos morais. “Tenho noiva que gastou quase R$ 30 mil na decoração”, acrescentou.

Decoração diferente da contratada

O casal Jéssica Fioco e Lucas Akio contrataram a empresa Florearte para realizar a festa de casamento em maio de 2020. Porém, devido à pandemia de Covid-19, tiveram de remarcar para junho deste ano. Para isso, eles pagaram o reajuste. O valor total gasto foi de R$ 23 mil na decoração.

Contudo, na semana do casamento, a empresa não retornou mais os contatos do casal. “Mandei mensagem para a pessoa que me atendia lá e alertei sobre o horário: ’12h30 e ninguém chegou ainda’. Ela me tranquilizou falando que o caminhão estava para chegar. A decoração só começou a ser montada às 14h30. Durante a cerimônia, eles estavam montando. Antes de entrar, o pessoal começou a me marcar no Instagram e não era nada do jeito que eu tinha contratado, eles economizaram em tudo”, disse Jéssica.

Além do atraso na montagem da decoração, a mulher teve outra frustação. “O buquê de flores estava murcho, com cor amarela, e a decoração do teto não era a combinada. O sentimento é de termos sido roubados.”

Arquivo pessoal

O que diz a Florearte

A Universa procurou a sócia Ana Caroline Gerola Menegassi por e-mail e telefone, mas não obteve retorno. Por meio de uma publicação no Instagram, a sua equipe informou que ela vem sofrendo ameaças e ressaltou que “diferentemente do que está sendo dito, não fugi com o dinheiro, não saí do país” e “gostaria muito de poder esclarecer tudo o mais rápido possível”.

No processo de falência, Ana Caroline alegou que está sendo vítima de boicote por parte da antiga sócia. “Verdadeiro boicote ao negócio do qual fazia parte, abriu em seu nome uma nova sociedade, para atuar no mesmo segmento da requerente, e, antes mesmo da conclusão da apuração dos haveres sociais, já estava ‘operando’ no mercado e no mesmo segmento de atividade.”