Júlia Leão Foto Reprodução Diferentemente das suas personagens nas séries Tapas e Beijos e A Grande Família, da Globo, Andréa Beltrão é uma mulher calma, centrada e discreta. Aos 47 anos, casada com o diretor Maurício Farias e com três filhos ? Francisco, 16 anos, Rosa, 15, e José, 12 ?, ela gosta de ficar longe dos holofotes quando o assunto é vida pessoal. Nesta entrevista, no entanto, a atriz fala de casamento, maternidade, conta como cuida do corpo e revela que não queria ser atriz: ?Meu sonho era ser nadadora olímpica?. Considerada uma das atrizes de veia cômica mais talentosas de sua geração, critica o humor ácido e agressivo praticado nos dias de hoje. ?Sou contra usar o humor para humilhar e ofender.? Veja fotos da carerira de Andréa Beltrão. Você fez parte do elenco de A Grande Família durante sete anos. Como foi deixar a série? Sinto falta do elenco, das brincadeiras, de tudo. Foi muito difícil sair. Mas eu já estava ficando inquieta com a rotina. Queria começar um novo trabalho. Durante o tempo em que fiquei na Grande Família, fiz várias coisas paralelas. Foi aí que surgiu a ideia de Tapas e Beijos (série que ela protagoniza ao lado de Fernanda Torres). Eu acordava no meio da noite pensando na Marilda e falando como ela. Estava na hora de deixar A Grande Família. Na época, meu marido dizia que eu estava mais casada com a Marieta (Severo) do que com ele. Marieta é sua amiga, sua sócia no Teatro Poeira. Você a vê como ídolo? Já a vi como ídolo, como mãe, companheira, amiga, irmã. Temos uma intimidade que eu tenho somente com meu marido. É animal, selvagem, livre. E o mais engraçado é que, apesar da nossa diferença de idade, às vezes eu sou a mais velha. Já pensou em parar de atuar? De jeito nenhum. Minha vida ficaria muito chata. Eu venho de uma geração de artistas que trabalhavam na televisão e que viam coisas que fascinam o ator como, por exemplo, criar uma história sem nenhum aparato. Amo fazer televisão. Foi uma escolha, não uma obrigação. Já o teatro não é uma escolha. É orgânico. Mas não vejo separação entre as artes. O que me interessa é fazer coisas de que gosto. Ja pensou em fazer um filme em Hollywood? Adoraria, mas não sei falar inglês. Se surgisse um papel de brasileira… O que acha do humor esdrúxulo de hoje? Eu acho que quem é bom prevalece. O Chico Anysio vai ficar para sempre. Eu gosto de humor com dramaturgia, mas também gosto do CQC. Mas sou contra essa onda de usar o humor para humilhar e ofender. Isso eu não aprecio. O Rafinha Bastos, por exemplo, faz um humor pesado. Você vive o mundo das celebridades de maneira discreta, sem se expor… Sou desse jeito porque não acho a minha vida interessante o suficiente para ser mostrada. Não me preocupo em ser uma celebridade. Eu me preocupo em ser uma boa atriz. Respeito o espaço que me é dado quando estou lançando um filme, estreando uma peça ou algo na televisão. Mas tenho certeza de que esse espaço é concedido a mim pela artista que sou. Tenho pudores em revelar minha vida pessoal. Não sou como algumas pessoas por aí. Eu tenho preguiça dessas pessoas aspirantes a famosas. Neste nosso papo, por exemplo, falei de coisas pessoais, mas não foi nada por acaso. Siga Gente no Twitter!