Comportamento

Soltando o verbo

Feitos para todos os públicos, os slams, poemas de protesto sem música e interrupções, saem dos livros, das ruas e das bibliotecas para ganhar a internet

Crédito: Pavel Bezkorovainyi

“Eu quero estar com as que vão à luta. Não me vista de culpa. Já sei me cobrir de alegria e quando novamente for chamada de puta. Receberei essa palavra como cortesia” Trecho de slam da poeta e atriz Luz Ribeiro (Crédito: Pavel Bezkorovainyi)


“O que é mesmo o crime? É vender droga a pé quando cê tem o pé preto e o medo de ser preso? Enquanto que se for toneladas num helicóptero cê pode até ser eleito?” Trecho de slam do escritor e poeta Igor Chico (Crédito:Divulgação)

Se “Poesia” em seu sentido original proposto por Aristóteles é tudo aquilo que desperta emoção, o “poema” e o “slam” nada mais são que diferentes formas de fazer poesia. Enquanto os poemas são os mais conhecidos e, geralmente declamados em saraus, é o slam que está na moda. O “slam”, para quem não conhece, lembra o rap, mas ao contrário das batalhas improvisadas e acompanhadas por batidas, a competição de slam segue algumas regras: nada de música, batidas ou interrupções. Ou seja, é um poema que pretende discutir a realidade difícil de quem o declama. A novidade? Com a profusão de canais no YouTube e redes sociais dedicadas à pratica, a arte de rimar palavras ganhou público e com os eventos online, agora chega a todos os lugares do País. A escritora, poeta e slammer, Luz Ribeiro, até já defendeu o Brasil na França na “Copa do Mundo” dos Slams e diz que faz mais apresentações quando se identifica como “slammer”. “As pessoas ainda tem essa ideia errada de que poema é uma coisa cafona e o slam algo mais descolado”, diz. Além dela, há diversos coletivos de slam, como são chamados os grupos que se reúnem para competir de maneira ritmada. O “Slam das Minas”, “Slam do Pico” e o “Slam Marginália”, que engloba algumas das vozes mais talentosas do movimento LGBTQI+, são destaques na área.

Grito de protesto

O poeta e slammer Igor Chico já participou de diversas edições da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) e participou de um vídeo político na Virada Cultural de São Paulo. Ali ele soltou o verbo para falar mal do governo Bolsonaro, da invisibilidade das pessoas negras e da truculência policial. Os temas dos slams variam, mas uma temática é recorrente: a narrativa de protesto. “Tudo começou nas aulas de português na escola. Foi ali que eu vi que conseguia fazer boas rimas”, afirma. Já Luz diz que sua fonte de inspiração é a urgência: “Dialogo com a situação vigente, que não é das melhores”. Com centenas de seguidores, os slammers são uma novidade que, ao que tudo indica, veio definitivamente para ficar. Afinal, a vida com poesia é muito melhor.

Veja também

+ Receita de bolinho de costela com cachaça
+ Descoberta no deserto do Kalahari leva a revisão da origem humana
+ Receita de panqueca americana com chocolate
+ Receita rápida de panqueca de doce de leite
+ Contran prorroga prazo para renovação da CNH
+ Donos de Celta e Classic ganham R$ 500 em combustível após recall
+ Pentágono confirma veracidade de vídeo que mostra OVNIs com formato de pirâmide
+ Receita de moqueca de peixe simples e deliciosa
+ 5 benefícios do jejum intermitente além de emagrecer
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Sucuris gigantes são flagradas em expedições de fotógrafos no MS