Dois soldados israelenses foram punidos com detenção militar por 30 dias depois que eles destruíram uma imagem de Jesus Cristo no sul do Líbano. A punição, anunciada nesta terça-feira, 21, pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), ocorre após um episódio que gerou profunda indignação entre cristãos do mundo todo.
O que aconteceu
- Um soldado israelense profanou uma estátua de Cristo, agredindo-a com uma marreta.
- O militar, e outro que filmou o ato, foram condenados a 30 dias de prisão e removidos de suas funções de combate.
- Outros seis soldados presentes na cena estão sendo investigados, podendo sofrer sanções.
O episódio ocorreu no último fim de semana no vilarejo cristão de Debel, situado no sul do Líbano. A área está atualmente sob ocupação israelense, no contexto das operações militares contra o grupo xiita Hezbollah.
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Indignação e condenação
Uma imagem do ocorrido viralizou nas redes sociais, mostrando um soldado de Israel golpeando a cabeça de uma estátua de Jesus Cristo, que havia caído da cruz, utilizando uma marreta.
A imagem foi postada por Younis Tirawi, um repórter palestino, que também publicou outras imagens de suposta má conduta de soldados israelenses em Gaza. Um comunicado militar informou que a investigação sobre o incidente revelou que um soldado danificou um símbolo religioso cristão, enquanto outro fotografou o ato. Seis outros soldados estavam presentes e não agiram ou interferiram, de acordo com a declaração.
A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa, que reúne líderes de diversas igrejas da região, incluindo o patriarca latino Pierbattista Pizzaballa, expressou “profunda indignação” pela profanação. A entidade cobrou “procedimentos disciplinares imediatos” e “claras garantias de que comportamentos similares não se repitam”.
As forças armadas de Israel lamentaram o episódio e ressaltaram que suas atividades no Líbano têm como alvos o Hezbollah e outros “elementos terroristas”. Além disso, asseguraram que estão trabalhando para substituir a estátua danificada.
Punição e contexto regional
Os militares israelenses disseram que estão colaborando com a comunidade local para substituir a estátua. O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, condenou a profanação da estátua, classificando-a como uma conduta inaceitável e uma falha moral, conforme o comunicado oficial.
Esse tipo de punição é considerado relativamente raro nas forças armadas israelenses, segundo grupos de direitos humanos. Em 2025, o grupo de monitoramento de conflitos Action on Armed Violence (Ação sobre Violência Armada) relatou que Israel havia encerrado ou deixado sem solução 88% dos casos de suposta má conduta em Gaza e na Cisjordânia. Em um caso recente, por exemplo, foram retiradas as acusações contra soldados acusados de abusar sexualmente de um detento de Gaza.
A agência Reuters verificou que a imagem foi tirada em Debel, um dos poucos vilarejos no sul do Líbano onde os moradores permaneceram durante uma campanha militar israelense contra a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã. A ofensiva começou em 2 de março, após o grupo disparar foguetes contra Israel em apoio ao Irã.
Debel é uma das dezenas de vilas no sul do Líbano que agora se encontram sob ocupação israelense efetiva. Israel e Líbano concordaram, na quinta-feira, com um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com o objetivo de interromper os combates entre Israel e o Hezbollah.
Com informações da ANSA e Reuters