A PM Yasmin Cursino Ferreira, policial militar que, durante uma abordagem no dia 3 de abril, atirou contra Thawanna da Silva Salmázio, teve sua suspensão formalizada pela Justiça de São Paulo na quinta-feira, 23. A soldado, de 22 anos, não possui mais autorização para portar arma de fogo, não pode manter contato com testemunhas e familiares da vítima, nem deixar a comarca sem autorização judicial.
+ ‘Por que você atirou nela’, diz PM à soldado que matou mulher em SP
+ PM acusado de jogar homem de ponte em SP vai ser julgado em Tribunal do Júri
A decisão foi tomada a pedido da Polícia Civil, com apoio e confirmação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo o juiz responsável pelo caso, Antônio Carlos de Souza, existem elementos e indícios suficientes para que a suposta autoria do crime justifique as restrições impostas. A agente deverá ainda ficar recolhida em seu domicílio das 22h às 5h.
Souza também destacou que a agente teria extrapolado, de maneira inequívoca, todos os limites do uso da força por quem detém um cargo estatal. Na argumentação, ele conclui que a conduta demonstrou um comportamento marcado por “impulsividade, descontrole emocional e desproporcionalidade”.
Relembre o caso
Thawanna foi atingida por um disparo efetuado pela Yasmin Cursino após uma discussão entre as duas na Rua Edimundo Audran, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. As imagens da câmera corporal do policial Weden Silva mostram como começou a confusão durante uma patrulha na madrugada. A ajudante geral, de 31 anos, morreu após ser atingida no abdômen pelo disparo. Ela deixa cinco filhos.
Por volta das 2h58, ele e a policial Yasmin abordaram o casal, Thawanna e Luciano Gonçalves, depois que o retrovisor da viatura atingiu Luciano enquanto ele caminhava na rua. Após o impacto, Weden deu ré no carro e iniciou uma discussão com o homem. Thawanna interveio, afirmando que foram os policiais que causaram a situação, o que intensificou o conflito.
Yasmin então desceu da viatura e passou a discutir diretamente com Thawanna. Durante o confronto verbal, a policial afirma que recebeu um tapa no rosto. Em meio à tensão, Yasmin sacou a arma e efetuou um disparo contra Thawanna. Esse momento exato do tiro não foi registrado pela câmera, pois Weden estava posicionado atrás da viatura, que bloqueou a visão, e Yasmin não utilizava câmera corporal.
Logo após o disparo, a reação imediata foi de questionamento. Weden perguntou à colega por que ela havia atirado e, em seguida, acionou o resgate por volta das 2h59. As imagens ajudam a reconstruir a sequência dos acontecimentos, mostrando que a situação evoluiu em poucos minutos, passando de um acidente de trânsito para uma discussão.
O que diz as autoridades
Em nota à Agência Brasil, a Secretaria Estadual de Segurança Pública disse que todas as circunstâncias do caso estão sendo investigadas “com prioridade” pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas.
* Com informações de Agência Brasil