Cultura

Socorro lira dá vigor ao Prêmio Grão de Música

A paraibana Socorro Lira tem feitos que garantiriam a ela uma estátua. Ou mais uma, depois que ganhou, em 2012, o atualmente suspenso por falta de patrocinadores Prêmio da Música Brasileira como melhor cantora regional. Socorro descobriu que, sim, prêmios são importantes para os artistas, sobretudo, aqueles sem a infraestrutura e a visibilidade dos maiores. Ainda que sem a verba que poderia garantir um projeto mais ambicioso, ela criou seu próprio prêmio.

Esta será então a sexta edição do Prêmio Grão, que tem se tornado a mais relevante iniciativa por meritocracia artística na música brasileira. A entrega será neste sábado, 19, a partir das 19h (a recepção ao público começa às 18h), na Sala Olido. Ao contrário de premiações categorizadas, o Grão olha para dois aspectos: o conjunto da obra e a trajetória do artista. “Entendemos que a obra pode ser o primeiro disco, mas com uma qualidade que fará você ouvir daqui a 40 anos”, ela diz. O artista Elifas Andreatto, quem desenhou a estatueta de entrega, está com Socorro na batalha pelo prêmio.

Os nomes que receberão o prêmio na Sala Olido vêm de vários Estados. São eles: Alessandra Leão (PE), Bia Bedran (RJ), Eliakin Rufino (RR), Filpo Ribeiro (SP), Geovana (RJ), Gildomar Marinho (MA), John Mueller (SC), Josyara (BA), Lucilene Castro (AM), Márcia Tauil (MG), Marlui Miranda (CE), Mateus Sartori (SP), Rolando Boldrin (SP), Sabah Moraes (PA) e Wilson Dias (MG).

A forma de atuação para se localizar artistas que não estejam apenas entre Rio e São Paulo é identificá-los com a ajuda de olheiros em quase todos os Estados. “Começamos a trabalhar com curadores locais há dois anos”, diz Socorro. São hoje 28 pessoas distribuídas por várias regiões, com exceção do Acre, que ainda carece de um curador.

Não há premiação em dinheiro aos artistas escolhidos. Eles são convidados a participar da festa em São Paulo, mas precisam também bancar suas vindas. Ainda assim, o reconhecimento pode valer a pena. “O que nós podemos oferecer é um conjunto de ações, que inclui fazermos a comunicação para exposição na mídia desses nomes e gravarmos um disco, uma coletânea com a música de todos os vencedores.”

Socorro sente que vale a pena seguir quando percebe a importância do prêmio para nomes que atuam em lugares onde os olhos da mídia não chegam. “O que mais me alegra é ver artistas do interior do País se beneficiando com o que fazemos.” Ela cita como destaques Rolando Boldrin e a cantora Geovana, do Rio de Janeiro, uma sambista revelada nos anos 1970, cheia de talento mas retirada de cena de forma precoce. Eliakin Rufino, um poeta de Boa Vista; Bia Bedran, com um belo trabalho voltado à infância; Mateus Sartori e a cantora Marlui Miranda, há muitos anos vivendo nos Estados Unidos, são alguns dos nomes que devem fazer o prêmio ganhar relevância. “Eu senti o quanto um prêmio pode abrir portas”, diz Socorro. Os álbuns que representam cada edição prestam serviço à música brasileira ao identificar seus expoentes de uma forma única, por lugares de uma riqueza que precisa vir à tona.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.