Esportes

Sob sigilo, CAS inicia segunda julgamento de ação do City contra punição da Uefa

Uma cortina incomum de sigilo envolve o julgamento que será aberto nesta segunda-feira em um tribunal para determinar se o Manchester City será suspenso das competições europeias por duas temporadas, punição imposta pela Uefa por violação das regras de fair play financeiro.

A Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) agendou três dias de audiências em local não revelado para julgar o recurso do Manchester City. Por meio de videoconferência, advogados se comunicarão da Suíça e da Inglaterra.

O tribunal com sede na cidade suíça de Lausanne informou na sexta-feira que o City e a Uefa solicitaram confidencialidade neste caso. Da mesma forma, a identidade dos três juízes da CAS é desconhecida.

As acusações mencionam que o Manchester City, de propriedade da família real de Abu Dabi, enganou a Uefa durante anos e descumpriu as normas financeiras dos clubes. Há muito em jogo no caso que pode incitar sentimentos negativos dos torcedores e agravar a desconfiança acerca dos órgãos reguladores do esporte.

O City foi punido em fevereiro por “violações graves” das regras do fair play financeiro da Uefa e por não cooperar com os investigadores. O caso foi aberto logo depois que uma série de documentos vazados apareceu na revista alemã Der Spiegel, em novembro de 2018.

E-mails vazados indicaram irregularidades em relação aos valores recebidos pelo clube por meio do xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, proprietário do Manchester City e integrante da família que governa Abu Dabi. O clube também foi multado em 30 milhões de euros (cerca de 143,5 milhões de reais, na cotação da época).

De acordo com a investigação, somente 12% dos 67,5 milhões de libras para patrocínio de camisa, estádio e as divisões de base foram de fato pagos pela Etihad Airways. O restante, embora descrito como verba de patrocínio no balanço do clube, foi aporte direto do dono do clube, uma prática proibida pela Uefa.

O clube nega ter cometido irregularidades. “Cooperamos com esse processo”, disse o CEO do City, o espanhol Ferrán Soriano. “Fornecemos uma longa lista de documentos e apoio, o que consideramos uma evidência irrefutável de que essas afirmações não são verdadeiras”.

O time de Manchester, no entanto, nunca rejeitou a autenticidade dos documentos, supostamente obtidos por um hacker, mas argumentou que as provas foram roubadas e que seu conteúdo foi retirado de contexto.

Se o apelo do City naufragar, o clube ficará sem receber centenas de milhões de dólares em premiações da Uefa, e pode enfrentar uma debandada de alguns de seus principais craques, já que será proibido de disputar a Liga dos Campeões da Europa por duas temporadas.

Para a Uefa, um revés significaria minar a política de fair play financeiro

que, de acordo com a entidade que comanda o futebol na Europa, ajuda a estabilizar a economia da modalidade entre os 55 países-membro.

Independentemente do que os juízes decidam, o City permanece candidato a vencer a Liga dos Campeões neste ano, já que a punição só vale a partir da temporada 2020/2021. O time inglês venceu o Real Madrid por 2 a 1, no jogo de ida das oitavas de final, disputado na Espanha. O torneio deve ser retomado em agosto, cinco meses depois da paralisação em razão da pandemia do novo coronavírus.

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