Todo ano surge uma nova promessa de beleza que conquista espaço na rotina das celebridades. Em 2026, os botopeptídeos assumiram esse papel. Presentes em dermocosméticos que prometem um efeito semelhante ao botox, só que sem agulhas, eles rapidamente ganharam lugar nos camarins e nas redes sociais.
Luísa Sonza já incluiu séruns com esses ativos na rotina depois dos shows. Marina Ruy Barbosa apareceu recebendo kits de skincare em eventos de beleza, enquanto Paolla Oliveira comentou que gosta de testar tudo o que promete cuidar da pele sem procedimentos invasivos. A tendência se espalhou rápido e virou assunto frequente entre quem acompanha o universo da beleza.
Mas quando o tema sai do glamour e chega aos consultórios, a conversa muda um pouco de tom. A médica Giselle Mello* explica que a ideia de um “botox em creme” precisa ser vista com cautela. Segundo ela, a comparação direta com a toxina botulínica não se sustenta na prática.
Os botopeptídeos são formados por pequenas cadeias de aminoácidos e foram desenvolvidos para imitar parcialmente a ação do botox, ajudando a reduzir a contração muscular que forma as linhas de expressão. Ingredientes como Argireline e Syn-Ake já existem há algum tempo, mas ganharam força recentemente com uma nova onda de produtos e promessas mais ambiciosas.
Na teoria, eles até têm seu papel. Alguns estudos indicam que podem atuar de forma leve na aparência da pele. O ponto é que, no uso cotidiano, os efeitos são mais discretos do que o marketing costuma sugerir. A própria estrutura da pele dificulta que essas moléculas cheguem até onde o botox realmente age, que é o músculo.
Outro fator importante é a estabilidade desses ativos. Luz, calor e até o simples hábito de abrir o produto todos os dias podem interferir na eficácia. Além disso, ainda faltam estudos clínicos mais amplos que comprovem resultados comparáveis aos procedimentos injetáveis.
Na prática, o que se observa é uma melhora mais sutil. A pele pode ficar mais hidratada, com textura mais uniforme e, em alguns casos, com linhas finas suavizadas. É um resultado válido, mas distante da transformação que muita gente imagina.
Ainda assim, não é difícil entender por que tantas famosas embarcaram na tendência. A promessa de um resultado visível sem dor, sem agulhas e com menos investimento é naturalmente atraente. É o tipo de solução que conversa diretamente com o desejo de praticidade.
Nos bastidores, porém, a realidade costuma ser mais equilibrada. Há quem teste por um tempo, não veja tanta diferença e acabe recorrendo aos procedimentos tradicionais antes de compromissos importantes.
Para quem pensa em aderir, especialistas costumam indicar o uso como parte de uma rotina mais ampla de cuidados, especialmente em peles mais jovens ou como forma de prevenção. Quando a expectativa é mais realista, a experiência tende a ser mais positiva.
No fim, a lógica da beleza continua a mesma. Não existe fórmula mágica que substitua consistência e cuidado ao longo do tempo. Tendências vão e voltam, mas resultados duradouros seguem ligados a uma combinação de hábitos, bons produtos e, quando necessário, orientação profissional.