Skaf: Selic em 15% por período longo gera asfixia e deixa Brasil em limite exaustivo

A permanência da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano por um período prolongado, ampliada nesta quarta-feira, 28, pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, provoca um “quadro de asfixia” prejudicial às empresas e ao investimento, criticou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Em carta dirigida ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Skaf diz que as decisões do Banco Central são norteadas por “rigor técnico”, mas que o Brasil “atingiu um limite exaustivo”, com inflação próxima a 5% ao ano, mas juros reais que rondam os 10%.

“Empresas sólidas sofrem desvalorização, a inadimplência cresce em níveis alarmantes e o incentivo ao investimento torna-se inexistente. Por que empreender, inovar ou expandir operações se o capital é mais bem remunerado na inércia da renda fixa?”, disse Skaf.

Ele acrescentou que está “cada vez mais difícil encontrar motivos para o adiamento de um ciclo de afrouxamento monetário, cujas condições já parecem consolidadas”. O Copom sinalizou no comunicado de hoje que deve começar um ciclo de corte da Selic na próxima reunião do colegiado, em março.

“Nossa inflação não é fruto de excesso de consumo. Ao contrário, o que assistimos é uma punição ao setor produtivo. Com o custo de capital mais alto do mundo, o ajuste fiscal corre o risco de tornar-se uma ficção contábil, enquanto o crescimento real e a geração de empregos são sacrificados”, acrescentou.