Situação da imprensa estrangeira na China está ‘deteriorada’, segundo relatório
Jornalistas participam de entrevista coletiva da Comissão Nacional de Saúde em Pequim, 27 de janeiro de 2020 - AFP/Arquivos
A situação da imprensa estrangeira na China sofreu uma “considerável deterioração” em 2020, comentou nesta segunda-feira (1) uma associação profissional, que reportou 18 expulsões, uma infinidade de pressões, poucos vistos concedidos e restrições decretadas em nome da luta contra a covid-19.
“Pelo terceiro ano consecutivo, nem um único correspondente declarou que suas condições de trabalho melhoraram”, constatou o Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC) em seu relatório anual.
Em 2020, a China expulsou 18 jornalistas estrangeiros que trabalhavam para os jornais americanos New York Times, Wall Street Journal e Washington Post.
Uma medida retaliatória contra os Estados Unidos, que no ano passado expulsaram várias dezenas de correspondentes chineses de solo americano.
Foi a “maior expulsão de jornalistas estrangeiros desde a época do massacre da Praça da Paz Celestial, há mais de 30 anos”, segundo o Clube.
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Em retaliação, a China parou de fornecer credenciamentos aos correspondentes de veículos americanos, que são essenciais para o exercício do trabalho.
Quando as autoridades chinesas estão insatisfeitas com a cobertura de um jornalista, recorrem a medidas punitivas, acuou o FCCC.
Os credenciamentos de pelo menos 13 correspondentes foram reduzidos para seis meses, contra um ano, como de costume. Entre as mídias afetadas estão o New York Times, a BBC, o Globe and Mail, o Le Monde ou a Voice of America.
Da mesma forma, a repressão afeta os funcionários chineses que trabalham para mídias estrangeiras. O ano passado foi marcado por ameaças de não renovação de autorizações de trabalho.
Um total de 59% dos entrevistados afirmou que seus colegas chineses foram vítimas de intimidações em 2020 – um aumento em relação a 2019 (44%).
Um caso extremo foi o de Haze Fan, uma funcionária chinesa da agência Bloomberg News, que está detida desde dezembro por supostas “ameaças à segurança nacional”.
O coronavírus, que surgiu no país no final de 2019, não melhorou as coisas.
“A China usou a pandemia como uma nova forma de controlar os jornalistas”, acusou o FCCC.
O relatório cita casos de correspondentes ameaçados de serem colocados em quarentena ou de serem submetidos a vários testes de detecção.
E as autoridades concederam apenas um pequeno número de vistos em 2020 para jornalistas que queriam ir ou voltar para a China, ao contrário de outras profissões que não estão sujeitas a tais restrições.
O estudo foi realizado entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Entre os 220 jornalistas membros do FCCC, um total de 150 responderam, cerca de um terço dos correspondentes estrangeiros presentes na China.
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