Premiê italiana Giorgia Meloni e outras lideranças políticas femininas tiveram suas imagens manipuladas e usadas ilegalmente para conteúdo obsceno e violento em portal de internet.Uma plataforma de conteúdo explícito na Itália foi forçada a fechar nesta quinta-feira (27/08), após a descoberta de que seus usuários exibiam fotos de mulheres de destaque de maneira ilegal e sem autorização.
O conteúdo do site incluía imagens da primeira-ministra Giorgia Meloni, da eurodeputada europeia Alessandra Moretti, da líder da oposição Elly Schlein e da influenciadora Chiara Ferragni.
O fórum online chamado Phica – nome que deriva da gíria italiana para os órgãos sexuais femininos – existe há pelo menos duas décadas.
O portal era frequentado por cerca de 200.000 usuários que exibiram fotos identificadas por nomes ou temas específicos. As imagens das mulheres pareciam ter sido retiradas de programas de televisão ou de perfis em redes sociais.
Postagens obscenas e explícitas, incluindo violência idealizada contra as mulheres, eram marcadas no conteúdo.
Sexismo com impunidade
A reação às atividades do portal aumentou quando a eurodeputada Moretti registrou uma queixa formal na polícia após encontrar uma imagem sua exibida no site sem sua permissão.
"Eles roubam fotos e clipes de programas de TV em que apareço há anos, depois os alteram e os fornecem a milhares de usuários", disse Moretti.
Ela disse que o portal é apenas um entre muitos na Itália que operam com impunidade, apesar das inúmeras denúncias apresentadas contra eles. "Este tipo de site, que incita estupro e violência, deve ser fechado e banido", disse a eurodeputada.
Os administradores da plataforma publicaram um comunicado nesta quinta-feira dizendo que o site seria fechado "com grande pesar" devido a "comportamentos tóxicos" e ao "uso indevido da plataforma, que prejudicou sua essência original".
A luta da Itália contra a violência de gênero
O caso veio à tona após um episódio semelhante envolvendo um grupo italiano na rede social Facebook chamado Mia Moglie ("Minha esposa"), que também foi condenado em todo o país.
No grupo online com mais de 30.000 homens, os usuários publicaram imagens de suas parceiras sem o consentimento delas e as compartilharam, gerando comentários obscenos.
O governo italiano aprovou um projeto de lei em março que, pela primeira vez, introduz a definição legal de feminicídio no direito penal do país e pune esses crimes com prisão perpétua, mas o projeto ainda não obteve aprovação final para se tornar lei.
A oposição de centro-esquerda do país elogiou a lei, mas enfatizou que as fontes econômicas, educacionais e culturais do sexismo e da misoginia na Itália ainda permanecem não resolvidas.
rc (DPA, AP)