Cuba está aberta a manter amplas conversas com os Estados Unidos e a permitir mais investimentos, mas não discutirá mudanças em seu sistema político, disse nesta terça-feira (17) à AFP uma enviada diplomática da ilha de governo comunista.
Tanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto o de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reconheceram que existem diálogos entre os dois países diante da gravidade da crise econômica na ilha, incluindo um apagão nacional na segunda-feira.
Trump disse esperar que Cuba chegue rapidamente a um acordo, que não especificou, mas também manifestou a esperança de que terá “a honra de tomar Cuba” depois de ter atacado a Venezuela, assim como o Irã.
Tanieris Diéguez, chefe adjunta da missão de Cuba em Washington, afirmou que os dois países vizinhos “têm muitas coisas para colocar sobre a mesa”, mas que nenhum deles deveria pedir ao outro que mude o seu governo.
“Nada relacionado com o nosso sistema político, com o nosso modelo constitucional, faz parte das negociações, e nunca fará parte delas”, assegurou.
“A única coisa que Cuba pede para qualquer conversa é respeito pela nossa soberania e pelo nosso direito à autodeterminação”, disse.
O jornal The New York Times, citando funcionários americanos que não identificou, informou que o governo Trump pediu a renúncia de Díaz-Canel, considerado relutante em relação às mudanças.
Havana anunciou na segunda-feira que permitirá aos cubanos no exterior investir e serem proprietários de negócios na ilha, que tem tido uma economia comunista desde a revolução liderada por Fidel Castro em 1959.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, um cubano-americano e crítico ferrenho de Havana, disse que as reformas “não são suficientemente drásticas”.
De acordo com a enviada cubana, Havana está aberta a um maior investimento americano, mas o problema é o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos quase ininterruptamente desde 1959.
“Estamos abertos a receber qualquer interesse americano, empresários ou o que for”, afirmou Diéguez.
“O principal obstáculo é o grande conglomerado de normas que constitui hoje o bloqueio”, acrescentou, explicando que as sanções americanas afastam os investidores internacionais.
O então presidente democrata Barack Obama promoveu um diálogo com Cuba que levou, em 2014, à abertura das respectivas embaixadas, à troca de prisioneiros e a mais de duas dezenas de acordos em turismo, meio ambiente e saúde, sem abrir o debate político.
Obama acabou por visitar a ilha, onde foi recebido pelo presidente Raúl Castro.
No entanto, Cuba não chegou realmente a sair das suas dificuldades econômicas, que provocaram de novo protestos nas ruas, novas detenções e a saída em massa de exilados.
Trump descartou manter uma aproximação no seu primeiro mandato.
De volta à Casa Branca, ordenou a captura do presidente de esquerda da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
Depois de forçar mudanças no setor petrolífero venezuelano, os Estados Unidos anunciaram que não iriam permitir mais envios de petróleo do país para a ilha, nem tampouco de outros fornecedores.
Diéguez disse que o corte teve efeitos em cascata, incluindo impedir o transporte e armazenamento de suprimentos médicos sensíveis à temperatura.
A diplomata relatou que mais de 3 mil crianças ficaram sem vacinas.
“É um castigo coletivo”, disse.
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