Em reunião extraordinária realizada na manhã desta sexta-feira, 3, o Ministério de Minas e Energia informou que o sistema elétrico está utilizando termelétricas mais caras, acionadas pelo critério “fora da ordem de mérito”. Isso significa que as usinas em operação têm custo acima do custo marginal de operação (CMO), termo que mostra quanto custa adicionar um megawatt a mais para o sistema. A informação foi divulgada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia.

Ao acionar termelétricas fora da ordem de mérito, o custo do sistema aumenta, com a cobrança de um novo encargo, chamado encargo de serviços do sistema (ESS). Na prática, isso significa que a tarifa do consumidor vai aumentar.

Na última quarta-feira, 1, o CMSE havia decidido não acionar usinas termelétricas fora da ordem de mérito, ou seja, acima do valor do CMO. No entanto, o CMO, indicador calculado semanalmente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e divulgado às sextas-feiras, sofreu forte redução nesta sexta em razão da previsão de chuvas para as próximas semanas. Com isso, apesar de o governo ter decidido não acionar termelétricas mais caras, a queda acentuada do CMO automaticamente “acionou” as termelétricas que já estavam em operação, mas dentro do critério de ordem de mérito.

Na prática, não houve acionamento de novas usinas. Mas a metodologia e os cálculos matemáticos levaram a essa situação. “O CMSE, no uso de suas atribuições, em reunião extraordinária realizada hoje, 3, decidiu pela manutenção do despacho das usinas com custo variável unitário (CVU) de até R$ 702,50/MWh para a semana operativa de 4 a 10 de novembro de 2017”, diz a nota. “Tal decisão decorre do fato dos custos marginais de operação (CMO) para todos os subsistemas para a referida semana terem sofrida acentuada redução devido ao início do período chuvoso, sem que essa tendência de melhora nas afluências tenha se refletido em ganhos significativos nos níveis de energia armazenada dos reservatórios em todos os subsistemas brasileiros até o momento”, acrescenta a nota.