Edição nº2552 15/11 Ver edições anteriores

Sirene aberta

Dados sobre doenças sexualmente transmissíveis revelam um presente de urgência e preconizam um futuro de emergência no Brasil. Falando-se de hoje: 54,6% da população está infectada pelo HPV, vírus que pode causar câncer de colo do útero. O risco de tal enfermidade, obviamente, já é bastante preocupante, grave e lamentável. Agora vê-se aumentar, no entanto, o número de casos de tumores de orofaringe devido ao mesmo vírus. Dos 54,6% já citados, nada menos que 38,4% de homens e mulheres carregam o HPV em seus tipos de alto risco para desenvolvimento de tumores. De onde vem isso? Eis a resposta clara e sem falsos moralismos: está-se fazendo sexo sem uso de preservativo. A capital com maior taxa de prevalência de HPV é Salvador: 71% da população.

Ficando ainda nos dias de hoje, tem-se a epidemia de sífilis (enfermidade bacteriana) que se alastra pelo Brasil — sim, já é epidemia. Quando alertei nessa coluna, pela primeira vez, sobre a escalada dessa doença no País, fui considerada alarmista por algumas autoridades que acham que Deus não cansa de abençoar nosso chão. Pois bem, a sífilis, que já esteve erradicada, voltou e virou fenômeno epidêmico: o número de óbitos infantis e fetais dela decorrente (sífilis congênita) triplicou na última década. Novamente entra aqui a baixa autoestima e a falta de informação que levam as pessoas a desprezarem o sexo seguro. Não guardo dúvidas de que, daqui a pouco, infelizmente, estaremos falando da elevação de relatos de clamídia e de herpes (o RNA do vírus de herpes labial e genital já é praticamente o mesmo, pelo tanto que eles se encontraram de forma arriscada).

Eis o presente que se vê no âmbito da urgência. Vamos agora ao sombrio futuro da emergência. Cai o índice de indivíduos que se valem de preservativo (masculino e feminino) porque não se organizam campanhas sobre a real função do coquetel de drogas antirretrovirais na hipótese de contaminação pelo HIV. O mesmo acontece com a Profilaxia Pré-Exposição ao vírus. É claro que, nos dias atuais, quem contrai HIV não está condenado à morte como ocorria no passado — há real possibilidade de viver normalmente e morrer de velhice. Isso está conduzindo para a não utilização de preservativo, confundindo-se o progresso do coquetel com a cura da doença – cura não existe e somente 50% de infectados no Brasil estão sob tratamento. O problema é que, também aí, as taxas de diagnósticos estão subindo demais e o Brasil já é o maior transmissor de HIV na América Latina. Daqui a pouco o HIV poderá ser tão fatal como era antes, mesmo com o aperfeiçoamento de terapias, porque vírus, se não combatidos e evitados sistematicamente, são sempre uma enigmática, perigosa e silenciosa bomba prestes a explodir.

Aumenta o número de casos de câncer de orofaringe devido ao HPV

 


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