Economia

Sindicato suspende paralisação prevista para esta quinta em obras da Gafisa

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sintracon-SP) suspendeu a paralisação programada para esta quinta-feira (25) nos 16 canteiros de obras da Gafisa em São Paulo. A informação foi confirmada tanto pelo sindicato quanto por comunicado emitido pela incorporadora.

O protesto foi abortado após uma reunião realizada entre as partes, ocorrida a partir das 10 horas, com duração de 3h30. No encontro, a direção da Gafisa informou que retomou os pagamentos a fornecedores e empreiteiros de suas obras.

Segundo contou ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o presidente do sindicato, Antônio de Sousa Ramalho, a companhia se comprometeu ainda a normalizar todos os vencimentos atrasados até o dia 15 de novembro. “A reunião foi positiva”, disse. Ramalho ponderou, entretanto, que as negociações serão retomadas em 21 de novembro e, até lá, os trabalhadores permanecerão em estado de greve. As conversas em andamento também dizem respeito ao processo de mudança da sede da companhia, que, segundo Ramalho, permanece indefinida.

No seu comunicado, a Gafisa afirmou que “cumpre rigorosamente com as suas obrigações, incluindo as trabalhistas, em respeito à legislação e à convenção coletiva de trabalho”. Além disso, acrescentou que “a sua reestruturação tem como foco a otimização de processos e estrutura, o ganho de eficiência e a valorização da companhia, ratificando seu comprometimento de longo prazo com todos os seus stakeholders“.

Internamente, porém, a reestruturação da Gafisa tem sido alvo de divergências. Na última semana, a incorporadora teve a renúncia dos conselheiros Eric Alencar e Tomás Rocha Awad, únicos representantes independentes do colegiado.

Os motivos para a saída dos conselheiros não foi informada pela Gafisa, mas fontes de mercado atribuem a debandada à discordância em relação à decisão da direção em implementar um programa de recompra de ações da Gafisa para valorizar os papéis no mercado financeiro, quando, na verdade, a empresa sofre com falta de caixa, tem endividamento elevado e pagamentos até então atrasados a empreiteiros e fornecedores.

O maior acionista da Gafisa, Mu Hak You, dono da gestora de recursos GWI Group, conseguiu tomar o poder da incorporadora no último mês ao aprovar em assembleia a destituição do conselho e eleger cinco dos sete membros do grupo. Sem os dois membros independentes, a companhia deverá convocar uma assembleia de acionistas para ocupar os assentos vazios, segundo fontes. Mu Hak ainda substituiu a diretoria da Gafisa por outros nomes de sua confiança.