Internacional

Sinais de insanidade?

Em seu primeiro mês como presidente, Donald Trump enfrenta uma crise de credibilidade dentro e fora do país — a ponto de sua saúde mental ser questionada. Por que suas ações podem custar o declínio da nação mais poderosa do mundo

Sinais de insanidade?

COMEÇO DO FIM? Temperamento de Trump pode implodir seu governo

Apertos de mão que intimidam, telefonemas interrompidos e reuniões abandonadas quando questionam suas ideias. O comportamento que o presidente da nação mais influente do mundo apresentou em seus primeiros dias no poder confirma que Donald Trump é intempestivo e egocêntrico. A questão agora é até que ponto essa personalidade pode contribuir para a decadência dos Estados Unidos. “Trump é muito sensível a qualquer crítica e reage sem se importar com as consequências futuras”, disse à ISTOÉ o cientista político e historiador da Universidade de Harvard Alexander Keyssar. “Até mesmo os republicanos questionam suas decisões, embora poucos o façam publicamente”.

Na semana passada, ganhou destaque a petição on-line assinada por 18 mil profissionais de saúde que questionam a sanidade mental e pedem o impeachment de Trump. Ele teria um transtorno de personalidade anti-social denominado “narcisismo maligno”. Paranoia e sadismo estão entre as características do quadro. “O que estamos vendo agora são os equívocos mais aparentes de Trump. Ou ele muda o estilo de governar ou vai ser contínua a repetição de condutas erráticas, com sérias implicações”, diz Cristina Soreanu Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A recente saída do conselheiro de Segurança Nacional escolhido por Trump, Michael Flynn, é um dos indícios dessa conturbada política. O general caiu após ter sido revelado pelos serviços de inteligência dos EUA que, em dezembro, ele manteve conversas comprometedoras com o embaixador russo Sergei Kislyak sobre as sanções aplicadas contra Moscou. O conselheiro havia pedido ao russo para não reagir de forma desproporcional antes que Trump chegasse à Casa Branca, uma vez que o magnata poderia rever a questão. Flynn chegou a ser interrogado pelo FBI ainda nos primeiros dias de governo. Na segunda-feira 13, Trump decidiu pedir sua renúncia por quebra de confiança. Flynn teria enganado o vice-presidente Michael Pence ao negar a conversa com o embaixador. “O grande problema é que ele não está cercado de pessoas competentes”, diz Keyssar. Prova disso é que, três dias depois, em mais uma atitude na contramão de um discurso diplomático conciliatório, Trump afastou os Estados Unidos do compromisso de criar um Estado Palestino. Em reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ele convocou palestinos e israelenses a encontrar a paz por si próprios.

FRASES IMPENSADAS

As instáveis relações com Vladimir Putin ganharam um novo capítulo na quarta-feira 15. Interferindo na soberania russa, Trump pediu a devolução da Criméia à Ucrânia e afirmou que espera que Putin coopere para diminuir a tensão entre os dois países. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, respondeu prontamente que a questão não poderia sequer ser discutida por “sócios estrangeiros”, em referência aos EUA. “A impressão que se tem é que ele não raciocina, que as frases saem da boca sem serem pensadas”, diz Geraldo de Figueiredo Forbes, membro do grupo de análise de conjuntura internacional da Universidade de São Paulo. “Não há método na loucura. O amigo de ontem é o inimigo de hoje.” Se Trump sozinho poderá dar início ao seu fim só o tempo poderá dizer. Mas seus primeiros atos já indicam que esse é um dos horizontes possíveis.


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O novo pior presidente  

Um século e meio separa James Buchanan, o 15º presidente dos Estados Unidos, de Donald Trump, o 45º. Um título, porém, os aproxima: o de pior chefe de Estado do país. Até a posse de Trump, Buchanan mantinha o posto por seus catastróficos feitos entre 1857 e 1861, quando foi responsável pela Guerra Civil entre o Norte e o Sul, na qual morreram 1 milhão de americanos. Agora, ele está prestes a perder seu lugar na história. As propostas de Trump que negligenciam a questão climática e sua postura em temas diplomáticos têm potencial de matar ainda mais gente. Durante seu mandato, Buchanan teve de se defender de acusações de propina, extorsão e abuso de poder – mas sem a habilidade do magnata de Nova York para criar factóides, quase sempre bombásticos. Um páreo duro.

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