Silveira defende revisão pelo Congresso de lei que definiu contratação de 8GW de térmicas

Silveira defende revisão pelo Congresso de lei que definiu contratação de 8GW de térmicas

SÃO PAULO (Reuters) – O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu que o Congresso reveja a obrigação de contratação de 8 gigawatts (GW) de usinas termelétricas previstas na lei 14.182/2021, que permitiu a privatização da Eletrobras.

Segundo ele, a reversão dessa medida é uma proposta de sua pasta e ainda não foi abraçada pelo governo. “É uma ideia que está sendo debatida tecnicamente e me senti muito à vontade de trazer ao próprio Congresso Nacional para iniciar esse debate”, disse a jornalistas após participar de audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira.

O ministro destacou que sua pasta tem como prioridade equilibrar segurança energética com modicidade tarifária e que os custos da contratação de térmicas podem não ser tão benéficos aos consumidores nesse momento.

“Precisamos garantir a segurança energética com as térmicas e as hidráulicas que não são fio d’água… Portanto, ao fazer essa conta, o custo benefício para o consumidor é maior se diminuirmos o investimento em térmicas e estimularmos o sentimento nas hidráulicas e nas renováveis”.

Silveira apontou ainda que as renováveis encontraram um “ponto de equilíbrio” em segurança energética com o avanço dos empreendimentos híbridos, que associam geração eólica e solar. Essa combinação de fontes permite que os complexos tenham menor variabilidade na produção, uma vez que a solar gera durante o dia e a eólica costuma atingir seu pico à noite.

A contratação de 8 GW de térmicas a gás, em locais distantes dos centros de carga e da oferta do insumo, foi um “jabuti” incluído na lei da Eletrobras no momento de sua apreciação pelo Congresso. A medida foi muito criticada por vários agentes do setor elétrico, uma vez que entra em conflito com o planejamento setorial.

O governo chegou a realizar um primeiro leilão para essas térmicas, mas o certame terminou com contratação abaixo do previsto. Desde então há um debate jurídico sobre a lei.

(Por Letícia Fucuchima)

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