São Paulo, 1/6 – Para que o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária avance é preciso criar mecanismos de longo de prazo, como um Plano Safra mais prolongado, na opinião do diretor executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni. Para o representante, o PIB deve se recuperar nos próximos meses, com uma condição climática mais favorável às culturas brasileiras. No entanto, é preciso rever alguns mecanismos para o desenvolvimento no longo prazo. Para ele, a retração do PIB no primeiro trimestre deste ano é reflexo da quebra de cerca de 5 milhões de toneladas da safra 2015/16 ante a anterior 2014/15. “Só no Mapitoba (nova fronteira agrícola que compreende Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) tivemos uma quebra de 1,86 milhão de toneladas e isso se reflete (no PIB)”, disse ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real a Agência Estado. “E esta quebra foi provocada por condições climáticas. Choveu quando não precisava e faltou água na hora certa.” Para Cornacchioni, a retração também é reflexo da economia do País que pressiona o consumo interno e novos investimentos no setor. “A queda (do consumo) na gôndola do supermercado foi bastante significativa”, afirmou. Para os próximos meses, há preocupação com o fenômeno meteorológico La Niña. Mas o representante vê este evento como um risco menor do que o El Niño, que provocou chuvas no Sul do País na safra 2015/16, prejudicando a produção agrícola. Sobre o Plano Safra 2016/17, ele acredita que a publicação de alguns mecanismos deve sair nos próximos dias. “Ontem estivemos com o Neri Geller (secretário de Política Agrícola e ex-ministro) e ele falou que está debruçado em cima disso. A pior coisa do mundo seria ter um hiato – começar o ano safra, sem ter o novo plano operando”, afirmou.