Economia

Setor cultural europeu perdeu um terço do volume de negócios pela pandemia, diz estudo

Setor cultural europeu perdeu um terço do volume de negócios pela pandemia, diz estudo

Sala de cinema em Roma, Itália - AFP/Arquivos

O setor cultural europeu perdeu 31% de seu volume de negócios devido à pandemia, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (26) que destaca que essa parte da economia representa um “peso pesado”, um dos vetores da recuperação.

“A economia cultural é uma poderosa alavanca de exportação e de projeção da União Europeia: as exportações de bens culturais representaram mais de 28,1 bilhões de euros em 2017” (34 bilhões de dólares atualmente), afirma o relatório da rede internacional de auditoria EY.

A cultura foi considerada uma atividade não essencial em algumas estratégias nacionais de combate à covid-19, mas “é preciso ancorá-la na economia”, destacou à AFP Marc Lhermitte, autor deste estudo que estabelece que as Indústrias Culturais e Criativas (ICC) antes da pandemia estavam “entre os pesos pesados da economia da União Europeia”.

Com receita estimada em 643 bilhões de euros (781 bilhões de dólares) e um valor agregado gerado de 253 bilhões de euros (307 bilhões de dólares) em 2019, as ICC representavam então 4,4% do PIB da UE em termos de volume de negócios”. Ou seja, uma “contribuição econômica superior à das telecomunicações, da alta tecnologia, indústria farmacêutica e da indústria do automóvel”.

Mas em 2020 este setor perdeu “cerca de 31% de seu volume de negócios”. Embora o “transporte aéreo seja o que mais sofre, as ICC registraram perdas superiores às de outros setores-chave, como o turismo e o automóvel (-27% e -25%, respectivamente)”.


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Em particular, o estudo estabelece esta queda em -90% entre 2019 e 2020 para o espetáculo ao vivo e em – 76% para a música.

Jean-Noël Tronc, presidente do GESAC (Agrupamento Europeu de Sociedades de Autores e Compositores), que realizou o estudo, disse à AFP temer para 2021 um “annus horribilis bis”.

O cancelamento do prestigioso festival inglês de Glastonbury “é um primeiro sinal extremamente preocupante, com um risco de efeito dominó porque este festival permite articular as turnês europeias de artistas internacionais. Muitos atores culturais não se levantarão após um segundo ano em branco”, alertou.

Tronc vai liderar uma delegação que planeja se reunir com comissários europeus para exigir que “se envolvam em uma estratégia de desconfinamento em nível cultural dentro da União”.

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