Setembro

O monstro vai embora ao nascer da primavera — dizem os especialistas, não especialistas em flores, mas em monstros. Setembro parece ser o mês de extinção do novo coronavírus.

Especialistas em tosse seca, tosse tossida com terror para fora do peito e da noite insone, especialistas em coriza, especialistas em febre na casa dos trinta e sete ponto oito graus, todos eles falam da primavera. É por isso que outros especialistas, que somos todos nós, especialistas em florescimentos vamos plantando na alma, ainda em pleno outono, as sementes de uma nova estação.

Nossas crianças crescerão, e terão as crianças delas, gerações andarão. As crianças de hoje, então adultas amanhã, contarão para suas crianças futuras sobre um tempo em que os maiores centros urbanos viraram cemitérios — cemitérios de mortos e cemitérios de vivos. Cidades? Não! Cemitérios. História triste para rememorar e contar, assim como atualmente, um século depois, ainda falamos e contamos sobre a gripe espanhola que dizimou um terço da espécie humana: cerca de cem milhões de pessoas morreram entre 1918 e 1920, enquanto a Primeira Guerra Mundial, que ensanguentou o planeta de 1914 a 1918, matou oito milhões de habitantes. O monstro de então era o H1N1. Mas houve o despertar de uma primavera… flores que logo feneceram…

A primavera de 2019 virá, demais primaveras virão, e as crianças de futuras estações das flores ouvirão relatos como se tudo fosse inimaginável, porque aí a ciência já terá descoberto medicações de profilaxia para todos os monstros. Aniquilá-los será fácil demais. Aquilo que um dia foi monstro a causar pânico, deserto urbano, morte, isolamento, quarentena, depressão, desemprego e fome não será mais nada. Nada! Motivo: os governantes passarão a cuidar da saúde pública, isso nas primaveras que surgirão, a tal ponto que as crianças de lá, e também os adultos de lá que foram as crianças de cá, ficarão estupefatos em saber que existiu uma época na qual homens públicos preferiram roubar dinheiro do povo do que investir em saneamento básico. Optaram por roubar e não por alavancar pesquisas, remunerar muito bem os cientistas, construir UTIs. Acharam melhor roubar do que zelar, com mãos de jardineiro, pelo delicado e divino fenômeno da polinização — que se dá entre flores mas também entre gente. A saúde das pessoas, mãos com mãos, bocas com bocas, línguas com línguas, línguas nos corpos, corpos com corpos,
também se poliniza.

Mas, apesar desses predadores políticos de hoje, é do ventre do monstro, também de hoje, que jorrará a água que transbordará uma fonte — a fonte da eterna saúde de todas as primaveras. E de todas as estações.

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A saúde das pessoas, mãos com mãos, bocas com bocas, línguas com línguas, línguas nos corpos, corpos com corpos, também se poliniza

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