Consolidado como um dos principais festivais do gênero no país, o Sesc Jazz chega à sua 6ª edição com uma programação que celebra a diversidade, a inovação e o diálogo entre culturas. Entre os dias 14 de outubro e 2 de novembro, 27 artistas e grupos do Brasil e do mundo se apresentarão em nove unidades do Sesc no estado de São Paulo, em um evento que inclui shows, oficinas e aulas-show. A curadoria deste ano aprofunda o conceito de “Sul Global”, valorizando o protagonismo de artistas da América Latina, África e da diáspora africana.
- O quê: 6ª edição do Sesc Jazz.
- Quando: de 14 de outubro a 2 de novembro de 2025.
- Onde: em 9 unidades do Sesc na capital, Grande São Paulo e interior.
- Destaques: encontro de Amaro Freitas e Dom Salvador; show de Baaba Maal na abertura; homenagem a Leny Andrade.
- Ingressos: venda exclusiva para credencial plena a partir de 2 de outubro; público geral a partir de 3 de outubro.
Encontros, homenagens e shows gratuitos
Um dos pontos altos da programação é o encontro histórico entre os pianistas Amaro Freitas e Dom Salvador, pioneiro do samba-jazz. O festival também promove o reencontro de Evinha (ex-Trio Esperança) com Marcos Valle, e uma homenagem à diva Leny Andrade nas vozes de Indiana Nomma, Rosa Marya Colin e Eliana Pittman. Outros nomes brasileiros de peso incluem Luedji Luna com participação de Alaíde Costa, e Virgínia Rodrigues revisitando seu disco de estreia, “Sol Negro”.
O palco externo do Sesc Pompeia receberá shows gratuitos aos domingos, com destaques para o Trio Mocotó com participação de Ellen Oléria, e o grupo Aláfia homenageando o coletivo norte-americano Parliament.
Destaques internacionais
A abertura do festival no Sesc Pompeia fica a cargo do senegalês Baaba Maal, conhecido por seu trabalho nas trilhas sonoras dos filmes “Pantera Negra”. A programação internacional reforça a conexão com o Sul Global, trazendo nomes como a cantora e sacerdotisa haitiana Moonlight Benjamin, a colombiana indicada ao Grammy Lido Pimienta, o mestre do candombe uruguaio Hugo Fatturoso e a cantora sul-africana Gabi Motuba. O jazz norte-americano é representado por referências de Chicago, como o percussionista Kahil El’Zabar e a pianista Amina Claudine Myers.
Além dos Palcos
O Sesc Jazz oferece também uma vasta programação formativa com oficinas, cursos e masterclasses que aproximam o público de artistas e pesquisadores. As atividades, que abordam desde canto e percussão até composição, buscam aprofundar o intercâmbio de conhecimentos e fortalecer a cena do jazz como uma linguagem viva e em constante transformação.
Atrações Nacionais
Amaro Freitas e Dom Salvador


Um encontro histórico que une duas gerações do piano brasileiro. De um lado, Dom Salvador, mestre e pioneiro do samba-jazz radicado nos EUA; do outro, o pernambucano Amaro Freitas, aclamado internacionalmente por sua abordagem percussiva e inovadora. O show celebra a potência do jazz feito no Brasil, conectando tradição e vanguarda.
Evinha e Marcos Valle


Radicada na França há mais de 40 anos, a cantora Evinha, ex-integrante do Trio Esperança, reencontra no palco o compositor Marcos Valle. A apresentação revisita as canções que Valle escreveu para ela no auge da Bossa Nova, em um reencontro que celebra uma parceria musical e afetiva de seis décadas.
Homenagem a Leny Andrade
As cantoras Indiana Nomma, Rosa Marya Colin e Eliana Pittman se unem para prestar um tributo à diva do samba-jazz, Leny Andrade (1943–2023). O show celebra o legado da artista, que se tornou uma das maiores intérpretes do gênero no mundo, conhecida por seu timbre grave e sua visceral capacidade de improvisação.
Abafo, Coqueito e Ventania
Os mestres do frevo de Olinda, Carlos Rodrigues, Lúcio Henrique, Oséas Leão e a Maestrina Lourdinha Nobrega, se reúnem para apresentar a riqueza rítmica do gênero pernambucano. Com arranjos preparados exclusivamente para o festival, o show explora o diálogo do frevo com o universo da improvisação característico do jazz.
Aguidavi do Jêje

Liderado pelo percussionista e ogã Luizinho do Jêje, o grupo baiano preserva a tradição oral e rítmica da nação Jêje. O espetáculo é uma saudação musical a ancestrais, orixás, voduns e outras entidades, conectando a espiritualidade das religiões de matriz africana à linguagem universal da percussão.
Virgínia Rodrigues
A cantora baiana revisita seu álbum de estreia, “Sol Negro” (1997), trabalho que a projetou internacionalmente com o apadrinhamento de Caetano Veloso. Com sua voz lírica e potente, Virgínia Rodrigues mergulha novamente no repertório que une cantos de candomblé a peças eruditas.
Luedji Luna com participação de Alaíde Costa
A cantora e compositora baiana Luedji Luna apresenta a turnê de seu recente projeto duplo, “Um mar pra cada um” e “Antes que a terra acabe”. No show, ela recebe a icônica Alaíde Costa, uma das vozes fundadoras da Bossa Nova, para um encontro que celebra a força da música preta brasileira.
Diáspora Lyannaj
Resultado de um intercâmbio musical entre Brasil e França, o grupo une os brasileiros Fábio Leandro (piano) e Vanessa Ferreira (contrabaixo) aos franceses Boris Reine-Adélaïde (percussão) e Samy Thiebault (saxofone). O nome, que significa “aliança” em criolo antilhano, reflete a proposta de união sonora do quarteto.
Aláfia (show gratuito)
O grupo paulistano Aláfia sobe ao palco do deck do Sesc Pompeia para uma homenagem ao Parliament-Funkadelic, coletivo que revolucionou a música negra norte-americana nos anos 1970. A apresentação gratuita promete uma imersão na fusão de funk, rock psicodélico e afrofuturismo.
Coisas Supremas: Conexão entre Coisas e A Love Supreme (show gratuito)
Liderado pelo trombonista Allan Abbadia, o projeto presta um tributo a duas obras-primas da música universal: “Coisas”, do maestro brasileiro Moacir Santos, e “A Love Supreme”, do saxofonista norte-americano John Coltrane. O show gratuito explora as conexões entre o samba-jazz e o spiritual jazz.
Trio Mocotó com participação de Ellen Oléria (show gratuito)


Pioneiros do samba-rock, o Trio Mocotó celebra o clássico álbum “Força Bruta” (1970), de Jorge Ben Jor, do qual participaram da gravação original. No show gratuito no Sesc Pompeia, o grupo recebe a cantora e compositora Ellen Oléria para uma apresentação cheia de suingue e história.
Atrações Internacionais
Baaba Maal (Senegal)

Embaixador da cultura senegalesa, o cantor e guitarrista Baaba Maal abre o festival com sua fusão de tradições da África Ocidental e sonoridades eletrônicas. Conhecido mundialmente por sua voz marcante nas trilhas dos filmes “Pantera Negra”, o artista traz um show que reflete sobre os desafios políticos e ambientais da África.
Moonlight Benjamin (Haiti)

A cantora e sacerdotisa vodu Moonlight Benjamin apresenta uma poderosa mistura de ritmos cerimoniais haitianos com a energia do blues e do rock psicodélico. Suas performances são marcadas pela intensidade espiritual e pela força de sua voz, criando uma experiência sonora única e visceral.
Aymée Nuviola (Cuba)
Vencedora do Grammy, a cantora e pianista Aymée Nuviola propõe um mergulho na era de ouro da música cubana. Seu show resgata a tradição do “filin” e do bolero, recriando a atmosfera noturna e sofisticada dos clubes de Havana das décadas de 1950 e 1960.
Lido Pimienta (Colômbia)
Artista indicada ao Grammy e ao Grammy Latino, a colombiana-canadense Lido Pimienta combina synthpop e música eletrônica com ritmos tradicionais afro-colombianos, como a cumbia. Suas apresentações são visualmente impactantes e carregadas de críticas sociais.
Fruko & La Bonita (Colômbia)

Liderado pelo lendário músico Fruko, o projeto celebra a salsa e a cumbia colombiana em um espetáculo que une gerações. Ao lado do grupo La Bonita, o artista apresenta um repertório que mescla a psicodelia tropical dos anos 70 com a energia contagiante da música latina.
De Mar Y Río (Colômbia)

O coletivo explora a força das vozes e percussões ancestrais da costa pacífica da Colômbia. O grupo é um guardião da música de marimba, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, e traz ao festival a profundidade dos ritmos afro-colombianos.
Hugo Fattoruso (Uruguai)
Ícone da música uruguaia, o pianista e compositor Hugo Fattoruso apresenta a riqueza do candombe, ritmo afro-uruguaio também reconhecido como patrimônio pela UNESCO. Com uma carreira de mais de seis décadas, o mestre do teclado mostra por que é uma das maiores referências do jazz latino-americano.
Sélène Saint-Aimé (França/Caribe)

A contrabaixista e cantora franco-caribenha é uma das vozes mais originais do jazz europeu contemporâneo. Seu trabalho explora as raízes da música caribenha, combinando-as com a improvisação do jazz e elementos da música erudita em uma abordagem poética e inovadora.
Bryony Jarman-Pinto (Reino Unido)

Representando a efervescente cena de jazz britânica, a cantora e compositora Bryony Jarman-Pinto destaca-se pela sua fusão de jazz, soul e folk. Suas letras abordam temas sociais e pessoais com uma sonoridade sofisticada e cativante.
Tigran Hamasyan (Armênia)

O pianista armênio é conhecido por sua técnica virtuosa e por uma sonoridade única que une a improvisação do jazz, a complexidade do rock progressivo e as melodias milenares do folclore de seu país. Suas composições são intensas e cinematográficas.
Kahil El’Zabar (EUA)

Lenda da cena de Chicago, o percussionista e compositor Kahil El’Zabar comemora os 50 anos de seu Ethnic Heritage Ensemble. O grupo é um dos pilares do spiritual jazz e do movimento “Great Black Music”, mantendo viva a tradição da vanguarda do jazz afro-americano.
Amina Claudine Myers (EUA)

Figura histórica da Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM) de Chicago, a pianista, organista e cantora Amina Claudine Myers é uma referência na conexão entre o jazz de vanguarda e a música gospel. Sua obra transita entre o experimental e o espiritual.
Dominique Fils-Aimé (Canadá)

Expoente do jazz vocal contemporâneo, a canadense Dominique Fils-Aimé explora a história da música afro-americana em seus projetos conceituais. Suas letras refletem sobre as realidades sociais que moldaram o blues, o jazz e o soul, com uma interpretação elegante e poderosa.
Gabi Motuba (África do Sul)

Com um repertório voltado a temas como política global, estudos negros e espiritualidade, a cantora e compositora sul-africana Gabi Motuba reflete sobre identidade e resistência. Seu trabalho é um exemplo da força intelectual e artística do jazz contemporâneo feito na África.
Alogte Oho & His Sounds of Joy (Gana)
O grupo liderado pelo cantor Alogte Oho é o principal expoente do Frafra Gospel, um gênero que mistura a música tradicional do povo Frafra, do norte de Gana, com a energia do soul e do funk. O resultado é uma música vibrante, espiritual e contagiante.
Etran de L’Aïr (Níger)

O nome do grupo significa “as estrelas do ar” e sua música é conhecida como o “rock do Saara”. Formada por irmãos e primos, a banda familiar apresenta o blues do deserto com guitarras hipnóticas e uma energia contagiante que reflete a vida na vibrante cidade de Agadez.
Serviço: Sesc Jazz 2025
- Datas: 14 de outubro a 2 de novembro de 2025.
- Locais: Sesc Pompeia, 14 Bis, Consolação, Vila Mariana, Guarulhos, Franca, São José dos Campos, Rio Preto e Centro de Pesquisa e Formação.
- Ingressos:
- 2 de outubro, 17h: venda online exclusiva para Credencial Plena.
- 3 de outubro, 17h: venda online e presencial para todos os públicos.
- Valores: R$ 18 (credencial plena), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 60 (inteira).
- Programação completa: Disponível no site oficial do Sesc SP.