Cultura

Série ‘Valentins’ apresenta máquinas inovadoras

O sumiço dos pais Alice e Artur não podia ser algo traumático, concluíram Cláudia Abreu e Flavia Lins e Silva, quando preparavam a série Valentins. Assim, o lúdico teria de estar presente e nada melhor que transformar os personagens paternos em cientistas. Assim, Alice (Cláudia) é uma alquimista culinária e Artur (Guilherme Weber) é um renomado químico e inventor. “São pessoas que têm uma loucura saudável na criação dos filhos, preparando-os para terem sua própria autonomia”, conta Cláudia.

Assim, os irmãos Betina (Rebecca Solter), João (Arthur Codeceira), Theo (Otávio Martins) e Lila (Duda Wendling) iniciam a temporada se descobrindo sozinhos – apenas o caçula, Theo, sabe que os pais se transformaram em camundongos, fruto de uma desastrosa invenção. “Os quatro protagonistas têm personalidades bem distintas, cada um com suas qualidades e fraquezas, e todos trabalham juntos para vencer as ameaças. O que um não tem o outro complementa”, observa Paula Taborda dos Guaranys, gerente de conteúdo e programação do Gloob, em declaração ao material de divulgação da série.

Cláudia lembra que, quando criava as histórias com Flavia, uma de suas principais preocupações era justamente o unir quatro crianças bem distintas, o que facilitaria identificação com um maior número de jovens espectadores. “Assim, Betina, a mais velha, é a mais responsável, uma menina sem vaidades e, por isso, sobre bullying na escola. João não é bom aluno e manifesta seus descontentamentos por meio de atos rebeldes como pichar um muro. Já Lila é a mais medrosa e também a mais vaidosa.

Finalmente, o pequeno Theo é o mais fantasioso e, por isso, não é levado a sério, mesmo sendo o único a saber que os pais não morreram”, detalha Cláudia.

Como os pais são inventores, as crianças lidam com naturalidade com as traquitanas que povoam sua casa, criações que encantam espectador de qualquer idade, como um armário que veste as roupas nas crianças, uma máquina de conselhos, um telefone que atende pelo nome de Graham Bell e um sistema de canos capaz de espalhar o aroma de bolinhos recém-saídos do forno por toda a vizinhança – lembre-se que Alice é uma alquimista culinária.

“São máquinas divertidas, inovadoras, que qualquer um adoraria ter em casa. Isso sem falar na tirolesa, que leva as crianças para fora de casa pela janela”, complementa Flavia, que hoje vive em Portugal, em depoimento colhido no material de divulgação da série.

Ao definirem os medos que pontuariam a série, Cláudia e Flavia foram cuidadosas. “Nós mapeamos todos os temores que rodeiam as crianças e cada capítulo será marcado por um deles, como medo de escuro, injeção, cobra, ladrão. Mas tivemos o cuidado para entrar em assuntos barra-pesada”, conta a atriz, que aponta para dois temas realmente delicados: o sequestro dos pais, que é um dos receios dos irmãos, um assunto infelizmente comum no imaginário da criança brasileira, e a descoberta de que aquela pessoa que se apresenta como amigo não é de fato.

É o personagem vivido por Luis Lobianco: Randolfo sempre foi o grande amigo da família Valentim – padrinho de Lila, alimenta uma paixão platônica por Alice e ambiciona ocupar o lugar de Artur, tanto na família como profissionalmente. “Como não queríamos um vilão tradicional, Lobianco se encaixou perfeitamente graças a seu bom humor. Assim, as crianças poderão ter medo de suas atitudes, mas também vão debochar dele por causa de suas atitudes – Randolfo chega a se fantasiar de uma falsa governanta, por exemplo”, diverte-se Cláudia.

Valentins começou a ser gravada no ano passado e terá duas temporadas com 26 episódios cada uma. E, como se trata de uma grande produção, a equipe envolvida tem larga experiência, especialmente na área cinematográfica. “Era nossa intenção apresentar um produto caprichado, realmente com uma estética de cinema”, comenta Cláudia. “Afinal, os jovens atuais estão acostumados com trabalhos apuradíssimos, como Harry Potter e Senhor dos Anéis. Não podíamos ficar distante dessa estética. Daí nossa opção de o Zé Henrique conceituar a série.”

“Desde o início, apostamos em uma narrativa clássica para facilitar a imersão do espectador na história”, comenta o cineasta. “Assim, a câmera não tem efeitos gratuitos – apenas quando a cena pede.” Fonseca, portanto, assume a direção geral, com os episódios sendo dirigidos por Calvito Leal e Duda Vaisman.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.