Série A usa macacos em campanha contra racismo e é criticada

ROMA, 17 DEZ (ANSA) – Pouco tempo depois dos times da elite do futebol italiano terem se comprometido a combater o racismo, uma campanha divulgada nesta segunda-feira (16) pela Série A virou alvo de críticas nas redes sociais e foi acusada de ser racista.   

O material da campanha “diga não ao racismo”, produzido pelo artista plástico italiano Simone Fugazzotto, consiste em três quadros com três macacos com os rostos pintados. Segundo a liga italiana, os cartazes “têm como objetivo espalhar os valores da integração, do multiculturalismo e da irmandade”.   

A campanha, por sua vez, foi como um gol contra da Série A e vem sendo alvo de críticas nas redes sociais e de diversas entidades que combatem a discriminação racial.   

“Mais uma vez, o futebol italiano deixa o mundo sem palavras. É difícil entender o que a Série A estava pensando, quem eles consultaram? Em um país em que as autoridades falham em lidar com o racismo semana após semana, a Série A lançou uma campanha que parece uma piada de mau gosto”, disse a organização Fare Network à emissora “BBC”.   

Fugazzotto, que é natural de Milão, explicou na coletiva de imprensa que decidiu retratar os macacos porque eles “são a metáfora dos seres humanos”. O italiano ainda revelou que teve a ideia após o zagueiro Kalidou Koulibaly, do Napoli, ter sofrido insultos durante um jogo diante da Inter de Milão na temporada passada.   

“Eu sempre pintei macacos nos últimos cinco a seis anos, então pensei em fazer esse trabalho para ensinar que somos todos macacos. Fiz o macaco ocidental com olhos azuis e brancos, o macaco asiático com olhos em formato de amêndoa. E o macaco preto posicionado no centro, de onde tudo vem. O macaco se torna a centelha para ensinar a todos que não há diferença, não há homem ou macaco, somos todos iguais. Somos todos macacos”, disse o artista plástico.   

No meio da polêmica, a Inter de Milão, através de suas redes sociais, propôs o retorno da campanha “Brothers Universally United (BUU)”.   

“Não há boa desculpa para ser racista, não há espaço para racismo no futebol. Somos irmãos universalmente unidos, esta é a nossa maneira de combater todas as formas de discriminação”, escreveu o clube italiano.   

A atual temporada do Campeonato Italiano vem sendo marcada por constantes episódios de cânticos racistas nos estádios.   

Recentemente, alguns jogadores como Romelu Lukaku, Franck Kesisé, Dalbert, Ronaldo Vieira, Kalidou Koulibaly e Mario Balotelli, já sofreram insultos raciais.   

No início de dezembro, o diretor executivo da Série A, Luigi De Siervo, prometeu que as autoridades criariam “iniciativas concretas” para combater o racismo, principalmente identificar e banir torcedores que realizarem insultos.(ANSA)