O empresário Sérgio Nahas, preso na Bahia quase 24 anos após matar a esposa, deve ser transferido nesta sexta-feira, 30, para São Paulo. Na tarde de quinta-feira, 29, a transferência de Salvador para o Estado paulista foi adiada, por causa de condições climáticas.
Procurada para comentar a transferência, a defesa do empresário não respondeu às tentativas de contato do Estadão. O espaço segue aberto.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, a Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), deve realizar nesta sexta-feira, a transferência de Nahas, com previsão de chegada no período da tarde.
O crime contra Fernanda Orfali ocorreu em 2002, no apartamento em que o casal morava, em Higienópolis, na região central da capital paulista.
Anteriormente, a advogada Adriana Machado Abreu, que representa Nahas, afirmou que ele morava na Bahia desde o ano passado e que é uma “pessoa íntegra, idosa, com questões graves de saúde e que não tinha interesse em ficar foragido”.
O DHPP solicitou a transferência do preso, sendo autorizada pela Justiça. No entanto, o procedimento não foi realizado na quinta, 29, em razão das condições climáticas adversas em Minas Gerais, onde estava prevista uma escala para abastecimento da aeronave. O transporte deve ser retomado assim que houver a normalização das condições meteorológicas.
O caso
Em 2002, Fernanda e Nahas passaram a lua de mel na Praia do Forte, em Mata de São João, a cerca de 60 quilômetros de Salvador. Seis meses depois, a mulher pediu o divórcio e foi morta com um tiro no peito.
De acordo com a investigação, a vítima havia confrontado o marido sobre o uso abusivo de cocaína e a existência de um relacionamento extraconjugal.
A defesa de Nahas alegava que Fernanda sofria de depressão severa e teria tirado a própria vida, versão nunca aceita pela família da vítima. O Ministério Publico do Estado de São Paulo (MP-SP) defendeu a condenação por homicídio qualificado.
Em razão de uma série de recursos, o empresário só foi condenado 16 anos após o crime. Em 2018, um júri popular o condenou a sete anos de prisão, em regime semiaberto, por homicídio simples. O MP-SP recorreu, e a pena foi elevada para 8 anos e 2 meses.
Nahas respondeu ao processo em liberdade até o esgotamento de todas as instâncias. Ao analisar o caso, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a pena e determinou o cumprimento imediato em regime fechado.
O mandato de prisão foi expedido em junho do ano passado, quando Nahas também passou a integrar a Difusão Vermelha da Interpol. Apesar disso, ele só foi preso na semana passada, após ser identificado por câmeras de monitoramento e reconhecimento facial da Praia do Forte. Policiais confirmaram a identidade do empresário e o localizaram no condomínio Kauai, ainda em Mata de São João.