Senão a coisa desanda


Liminha acordou animado. Dia 1º de maio era o dia da manifestação de apoio ao presidente.

Na noite anterior, deixou tudo preparado no pé da cama.

A bandeira do Brasil puída de tanto uso, a vuvuzela e uma camisa da seleção, do Ronaldo.

Liminha tem 52 anos, é cearense, mas mora em São Paulo, há mais de 30 anos.

É garçom, mas está desempregado desde que a pandemia começou e o restaurante que trabalhava precisou demitir metade dos funcionários.

– Com essa história de não poder sair de casa, já viu…

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Liminha mora numa pensão no Baixo Augusta.

Ano passado viveu do auxílio emergencial, mas sabia que aquilo não duraria para sempre.

– Os comunistas não entendem que não dá para o governo fabricar dinheiro.

Na verdade, Liminha nunca soube exatamente o que é comunismo, então usa o termo como sinônimo de “oposição”.

Para ele o cenário político é composto por governistas e comunistas, o que faz sentido porque ambos acabam
em “ista”.

Apesar de não entender de política, sempre participou de manifestações porque acredita que o governo precisa de apoio, senão a coisa desanda.

Então, no dia 1º de maio, se enrolou na bandeira e foi caminhando até o MASP, porque o presidente precisa de apoio.

– Senão a coisa desanda, é o que eu sempre digo.

No meio do caminho, encontrou o maitre do antigo restaurante, o Rocha.

Rocha estava com a camisa do Dunga.

Também foi demitido.

Segundo ele o restaurante está numa situação difícil.

– Falei para o seu Eduardo fazer entrega, mas ele diz que restaurante bacana não faz delivery – Rocha explicou.

Quando atravessaram a Paulista, encontraram justamente o seu Eduardo, com a família, a mulher Lídia, que faz bijus e vende pela internet e as duas filhas, 10 e 12 anos, estudantes.

Eduardo é de uma família quatrocentona de São Paulo.

Ele e o irmão cuidam das fazendas de soja que herdaram do pai.

O restaurante é só um hobby para passar o tempo, tomar vinho e reunir os amigos.

Liminha e Rocha se juntaram à família, porque Eduardo sempre foi muito gente boa.

Os seis rezaram o Pai Nosso junto à multidão.

Nenhum deles usava máscara.

A família do Eduardo tinha sido vacinada na casa de uma amiga da Lídia.

Liminha e Rocha, não, porque ainda tinha chegado à vez deles.

Os dois nem acreditam em vacina, ainda mais essa que veio da China.

Todos acham que o Brasil não tem jeito se os militares não assumirem o poder e botarem ordem na casa.

Senão a coisa desanda.

Mas com o Bolsonaro à frente, é claro.

Eduardo quer os militares no poder para acabar de vez com a corrupção e com o PT. Aprendeu com o pai que o PT vai tomar as fazendas e encher de sem-terras.

A Lívia, porque as amigas apoiam o Bolsonaro ainda mais agora que o Lula, sujeito horroroso, está solto de novo.
As filhas não tinham opinião. Estavam ali porque não podiam ficar sozinhas em casa.

Rocha quer os militares porque tem saudade dos anos 70,uma época que ele trabalhava no Rubaiyat e ganhava um dinheirão em gorjetas.

E o Liminha porque o presidente sempre fala que os militares vão botar ordem na bagunça que o País virou depois dos comunistas.

Nós, os bolsonaristas, exigimos os militares no poder para acabar de vez com a corrupção e com o PT, antes que o Brasil se torne Cuba

Quando a manifestação terminou, Eduardo, que é muito gente boa, convidou Liminha e Rocha para irem a uma sorveteria gourmet que as meninas adoram, ali perto nos Jardins.

Foram, mas não puderam entrar, porque a polícia estava na porta e não deixavam entrar quem estava sem máscara.
Os seis ficaram indignados.

Mas gostaram de ver o Eduardo falando com os policiais de dedo em riste.

– Por isso o Brasil precisa dos militares de volta! Para garantir a liberdade, porque isso aqui está parecendo Cuba.
É assim que se fala, Liminha pensou.

Se a gente não apoiar o presidente, a coisa desanda.

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