Três senadores apresentaram nesta segunda-feira (28) uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que se investigue se o presidente Jair Bolsonaro cometeu prevaricação ao não denunciar suspeitas de corrupção na compra de vacinas contra a covid.
Entre os senadores está Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada há dois meses no Senado para investigar supostas omissões do governo na luta contra a pandemia, que já deixou mais de meio milhão de mortos no país.
“No dia de hoje, protocolei no Supremo Tribunal Federal notícia-crime por conta da grave denúncia envolvendo o presidente da república, de que não tomou nenhuma previdência diante de ter sido noticiado da existência de um gigantesco esquema de corrupção no Ministério da Saúde”, disse Rodrigues em vídeo publicado no Twitter.
“Prevaricação é crime exposto no Código Penal. Por isso compreendemos a necessidade de que o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República instaurem um procedimento de investigação.”
Uma denúncia desse tipo tem potencial para causar o afastamento de Bolsonaro (se aprovado pelo Ministério Público e votado na Câmara), embora analistas considerem improvável que o procurador-geral da República, Augusto Aras, considerado aliado de Bolsonaro, concorde em formular acusações contra o presidente.
Entre as suspeitas que surgiram na semana passada está o superfaturamento da vacina indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech, com o qual foi firmado um contrato com preços mais elevados do que qualquer outro imunizante adquirido até agora pelo Brasil.
A conta de 45 milhões de dólares para 3 milhões de doses chegou no dia 18 de março à mesa de Luis Ricardo Miranda, chefe de importação de medicamentos do Ministério da Saúde, que transmitiu suas dúvidas a seu irmão, o deputado bolsonarista Luis Miranda.
Segundo o que os dois irmãos afirmaram à CPI na última sexta-feira, Bolsonaro os recebeu pessoalmente no dia 20 de março, em sua residência em Brasília, e garantiu que comunicaria essas suspeitas à Polícia Federal, algo que, aparentemente, nunca fez.
Bolsonaro negou qualquer irregularidade nesta segunda-feira, garantindo que é impossível para ele saber o que está acontecendo em cada ministério e que confia em seus ministros.
“Não tenho como saber o que acontece nos ministérios. Vou na confiança em cima de ministros e nada fizemos de errado”, afirmou a apoiadores.