Senado se encaminha para livrar Trump de impeachment

WASHINGTON, 31 JAN (ANSA) – Na reta final do julgamento no Senado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é cada vez menos provável que a oposição democrata consiga aprovar a convocação de testemunhas para depor contra o republicano.   

Após a conclusão da etapa de perguntas dos senadores para a acusação e a defesa, um dos parlamentares que eram cortejados pelos democratas, Lamar Alexander, anunciou nesta quinta-feira (30) que votará contra a convocação de testemunhas.   

“Não há necessidade de novas evidências para provar algo que já foi provado e que não cumpre as exigências da Constituição para o impeachment”, escreveu Alexander no Twitter.   

A oposição tem 47 dos 100 assentos no Senado e precisa dos votos de pelo menos quatro republicanos para conseguir levar o ex-secretário de Segurança Nacional John Bolton ao plenário.   

O ex-assessor de Trump não depôs na fase de investigação, mas agora está para lançar um livro em que diz ter ouvido do presidente que a ajuda militar de quase US$ 400 milhões à Ucrânia estava condicionada à abertura de um inquérito contra Joe Biden, seu possível adversário nas eleições deste ano.   

A senadora republicana Susan Collins afirmou que votará pela convocação de testemunhas, enquanto o ex-presidenciável Mitt Romney também se mostrou inclinado a apoiar a iniciativa. Ainda faltariam dois votos.   

A proposta deve ser analisada nesta sexta-feira (31) e, se for rejeitada, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, pode pedir uma votação imediata para condenar ou absolver Trump. Para o mandatário ser deposto, são necessários dois terços dos votos.   

Esse pode ser o primeiro julgamento de um presidente no Senado sem a convocação de testemunhas.   

O magnata é acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso.   

Segundo a denúncia, Trump bloqueou a ajuda militar à Ucrânia para forçar o país a investigar Biden, cujo filho, Hunter, trabalhava para uma empresa ucraniana de energia, a Burisma.   

Em 2016, Biden, então vice-presidente dos EUA, pressionou e conseguiu de Kiev a demissão do procurador-geral Viktor Shokin, que investigava a Burisma e era considerado corrupto pela Casa Branca e pela União Europeia.   

Para Trump, isso foi uma tentativa de interferência nas eleições de 2016, embora Biden não fosse candidato a nada. Já a acusação de obstrução se deve à determinação do presidente para funcionários da Casa Branca não colaborarem com o inquérito na Câmara dos Representantes. (ANSA)