Semana de Moda de Nova York começa mais enxuta e politizada na era Trump

Semana de Moda de Nova York começa mais enxuta e politizada na era Trump

A Semana de Moda de Nova York começa nessa quinta-feira mais enxuta do que nunca, após a saída de grandes nomes das edições de Paris e Los Angeles, e também mais politizada à sombra de Donald Trump.

Mais de 230.000 pessoas desembarcaram na maior cidade dos Estados Unidos e sua capital cultural para assistir a esse evento bianual, que acontece sempre em setembro e fevereiro, com centenas de desfiles, negócios e festas que chegam aos 900 milhões de dólares.

A estrela do rap Kanye West deve voltar aos holofotes após sofrer um suposto colapso nervoso em 15 de fevereiro com o desfile de sua marca, Yeezy, com o qual vai tentar se recuperar do desastroso desfile feito sob um sol tão forte que algumas modelos chegaram a desmaiar.

Enquanto a maioria dos desfiles acontece em bairros glamourosos como Chelsea e Soho, há também apresentações em lugares mais distantes que vão chamar atenção, como um velho teatro fechado no Harlem,c oração da cultura afro-americana em Nova York, onde Alexander Wang vai desfilar.

A temporada outono/inverno 2017 é turbulenta: Nova York e o resto dos dos Estados Unidos liberal está em polvorosa pela presidência de Trump. A política será o pano de fundo das passarelas.

Essas são as cinco tendências a seguir de 9 a 16 de fevereiro:

Adeus

Tommy Hilfiger, a marca multimilionária conhecida por seus desfiles teatrais, lidera o êxodo para Los Angeles, mostrando sua segunda coleção cápsula em colaboração com a modelo Gigi Hadid na quarta-feira em Venice Beach.

Também desfilam em Los Angeles Rachel Comey, Rachel Zoe e Rebecca Minkoff, assim como a maison francesa Christian Dior meses depois, maio.

Vão para Paris Hood by Air e Rodarte, e Proenza Schouler vai seguir a caravana em julho, após uma despedida de outono/inverno 2017 em Nueva York, em 13 de fevereiro.

Vera Wang abandonou a ideia de um desfile e optou por um curta-metragem que será divulgado em 28 de fevereiro, coincidindo com a abertura dos desfiles em Paris e a cerimônia em que ela recebe a maior honra da França, a Legião de Honra.

A marca DKNY se ausenta da temporada em Nova York, assim como Fenty, a colaboração de looks urbanos entre a Puma e Rihanna.

Recomeço

O evento mais esperado da semana é a estreia do estilista belga Raf Simons como diretor criativo da Calvin Klein, que está unificando todas as suas marcas e desfilando em conjunto as coleções masculinas e femininas.

O dominicano Fernando García e sua esposa, a coreana Laura Kim, também têm um novo começo como os novos diretores criativos de Oscar de la Renta, imediatamente após mostrar sua coleção própria, “Monse”.

Resistência

A moda se tornará política esse ano após a vitória eleitoral do republicano Donald Trump. Muitos estilistas assistiram aos protestos anti-Trump de Nova York e Washington em 21 de janeiro, dia seguinte da posse do novo presidente.

O Conselho de Designs de Moda dos Estados Unidos se associou à organização Planned Parenthood para distribuir botons com a frase “A moda defende a Planned Parenthood” em letras maiúsculas brancas.

Os republicanos do Congresso estão determinados a retirar o financiamento desse provedor de serviços de saúde para mulheres, que segundo relatório recebeu mais de 550 milhões de dólares do governo em 2014, cerca da metade de sua renda total.

Mais de 40 estilistas e marcas sairão em defesa da Planned Parenthood, incluindo Diane von Furstenberg, Public School, Mara Hoffman, Tory Burch e Zac Posen.

Hillary Clinton, a rival derrotada de Trump que foi apoiada pela indústria da moda, falará em uma cerimônia do Serviço Postal que anunciará um novo selo em homenagem ao dominicano Oscar de la Renta, evento em que se espera a presença de muitas celebridades.

Pode sobreviver?

A revolução de consumo que a Tommy Hilfiger e um punhado de outras marcas empreenderam no ano passado – oferecendo peças para a atual temporada e não para seis meses depois – parece ter estancado, pelo menos por hora.

“O mais decepcionante da moda hoje é que há tanta coisa acontecendo”, disse a estilista Carly Cushnie, da Cushnie et Ochs, em um evento no Fashion Institute of Technology, a famosa universidade novaiorquina de design de moda. “Era melhor quando estávamos todos juntos, colaborando, em um mesmo calendário”.

Alguns se perguntam até se a própria semana de moda vai sobreviver nesse formato atual, diante do desafio da internet, das transmissões ao vivo e ligações diretas ao consumidor, que sugerem que o velho calendário está deteriorado.

“A indústria da moda debate como deve funcionar na nova era digital e em um mundo superpovoado da venda a varejo”, afirmou Christina Binkley, ex-colunista de moda do The Wall Street Journal.

“É realmente difícil se destacar”, disse em entrevista à AFP.