POR Júlia Leão ? Ela interpreta uma deusa hindu no espetáculo Teu Corpo é Meu Texto, que está em sua segunda e curtíssima temporada em São Paulo, e faz jus à condição de divindade. Aos 55 anos, Christiane Torloni está mais bonita. E não se trata de impressão de repórter: é ela própria quem se enxerga assim diante do espelho. A atriz tem talhado sua silhueta mais delgada e firme com a dança, mas rejeita o título de símbolo sexual de sua geração. ?Se não me considerava assim quando me consideravam, imagine agora?, desdenha. Nessa linha, a possibilidade de posar nua novamente para uma revista masculina, por exemplo, passa longe. Não por pudor. A questão é racional. ?Não há dólar nem euro para isso?, dispara, dizendo que apenas uma montanha de dinheiro daquelas a faria mudar de ideia. Recado dado. A vaidade de Torloni está mais focada nas suas conquistas profissionais. Nesta entrevista a Gente, ela comemora, sem falsa modéstia, o reconhecimento de seus 30 anos de estrada. ?Hoje posso falar que sou uma atriz que atua ao lado de um corpo de dança profissional e que já contracenou com atores de Hollywood?, diz ela, referindo-se ao filme que acaba de rodar ao lado do astro Andy Garcia, dirigido pelo ator e diretor Márcio Garcia. A seguir, então, esta vaidosa e poderosa mulher, que agora se arrisca em pliés e pas de deux no palco, com coreografia de Anselmo Zolla e direção do parceiro de sempre, José Possi Neto. Só para quem pode, bebê. ? Quando surgiu a ideia de fazer um espetáculo de dança? ? Christiane. Esta é a primeira vez que faço um espetáculo com este tema e que atuo ao lado de um corpo de dança profissional. Antes, só havia feito uma participação com a companhia, no Teatro Municipal de São Paulo. Acho que estreitamos a relação e, no ano retrasado, quando surgiu o convite para a montagem, logo após o fim de Fina Estampa (novela da Globo), dei inicio ao treinamento. É um desafio. Se antes o meu diretor, José Possi Neto, trazia elementos da dança para o palco, agora sou eu que levo a atuação para a dança. ? Você tem facilidade para se apresentar como dançarina? ? Na realidade, eu não tenho formação acadêmico em dança. Mas além de gostar, faço aula porque acredito que o ator precisa se expressar de diferentes formas. O saber se movimentar é primordial na nossa carreira. Sou só uma atriz que ama dança, é isso. ? Este é mais um trabalho com o José Possi Neto. O que tem a dizer desta parceria de 25 anos nos palcos? ? Estamos fazendo nosso jubileu e só tenho a agradecer a fiel companhia dele. Tenho muita confiança no que o José diz. E ele e o Anselmo Zolla (coreógrafo) estão fazendo um trabalho lindo juntos nesse espetáculo. Agora tenho um coreógrafo na minha vida. Ou seja, nossa união é magnífica. ? Como tem sido a rotina de treinos para o espetáculo? ? Tenho levado uma vida de bailarina, apesar de não ser uma. Sigo a rotina do corpo de dança, por isso os ensaios ocupam grande parte do meu tempo. Mas, a mim, só me motiva ver esses corpos maravilhosos fazendo coisas lindas. Aí penso que eu também quero fazer algo bonito no palco e vale o esforço. ? É mais difícil atuar ou dançar? ? Estou fazendo o meu melhor como atriz e, com orgulho, a parte de dança também. É um trabalho que demanda disciplina e é bem diferente de atuar numa novela, por exemplo, mas é válido. Para tudo isso, faço ainda aulas de balé contemporâneo e clássico e, paralelamente, yoga e spinning. ? Notou alguma diferença no seu corpo com tudo isso? ? Só ficou melhor (risos). Não engordei e não fiquei flácida. Enfim, estou mais bonita. Mas também, nunca ouvi ninguém reclamar sobre o resultado final no corpo com muito treinamento. A única coisa negativa na história é que fico com um pouco de dor. ? Em Em Teu Corpo… você encarna uma deusa. Na vida real, você se considera um símbolo sexual da sua geração? ? Eu não me considerava nem quando me consideravam. Agora então, com a idade é mais difícil ainda (risos). Acho que essas etiquetas que as pessoas colocam não podem fazer parte da minha vida. Meu corpo está em forma pois eu estou trabalhando ele para o espetáculo e preciso estar preparada e equilibrada. O resto são impressões que as pessoas têm sobre mim, o que pode vir a cair por terra. ? Posaria nua novamente? ? Isso é uma questão de dinheiro. Só aceitaria um ensaio nu se fosse mudar minha vida drasticamente do ponto de vista patrimonial. E para falar a verdade, acho que ninguém tem dólar, nem euro, para isso. Além disso, acho que eu teria que estar com um humor muito bom para encarar um ensaio fotográfico de tamanha exposição. Das outras vezes, posei nua pois havia uma utilidade. Agora não há. ? Na peça, você atrai os homens com a dança. Já aconteceu isso na vida real? ? Nunca atraí nenhum homem com ela. Porém, não posso descartar que gosto de um bom parceiro para a dança de salão, um tango, um bolero. A dança deixa a nossa vida muito feliz. E minha vida está muito completa no momento. ? Você fez plástica mas comentou que tem medo de lipoaspiração. Faria alguma intervenção novamente? ? Eu acho que as pessoas devem fazer o que bem entenderem. Se estão a fim de colocar silicone, fazer uma plástica, por que não fazer? O que acho importante, porém, é manter o bom senso e saber ter a medida certa do que fazer. O alerta é não passar dos próprios limites. ? Aos 55 anos, como lida com o amadurecimento? ? Eu vivo dia após dia e acho que a vida é isso. Não adianta inventar algo para superar o amadurecimento da idade. Já vivo e materializo coisas diferentes em cada papel que faço, por isso, na vida real, não quero pensar em envelhecimento. E também faz parte do cotidiano e do processo da vida esse amadurecimento. Com o tempo, cada um vai achando a sua receita. ? Como é ver seu filho, Leonardo Carvalho (com o diretor Dennis Carvalho), seguindo os passos de ator? ? Eu fico muito feliz, pois ele é a terceira geração no ramo. Tem meus pais, Monah Delacy e Geraldo Matheus (atores e fundadores do Teatro de Arena), eu e o Leo. E pelo que eu vejo, ele vai seguir os passos do pai, se preparando para dirigir. Mas como sou uma mãe muito coruja, poderia ficar elogiando ele por horas (risos). ? Você atuou como narradora do documentário sobre Tancredo Neves -Tancredo. A Travessia (2011). Aceitou o convite pelo seu lado engajado politicamente? E como vê a política hoje no Brasil? ? Sim, aceitei pois fiz parte daquela história e sempre fui engajada na política do nosso País. Acredito que se eu não fizer minha parte, quem vai fazer por mim? É o caso do julgamento do mensalão. Estou super atenta ao que está acontecendo e ao que pode vir a acontecer. Acho cedo para dizermos se nossa Justiça será justa, mas enquanto não chegarem a um veredicto final, ainda acredito no bem. ? Como foi filmar Open Road (2012), com o Andy Garcia? ? Foi muito legal. Ele já era um ator que eu admirava muito, então, foi superdivertido estar no set com alguém que eu via nos filmes. Ele é muito colaborador em cena, com tudo o que foi mais legal ainda de ver. E ser dirigida pelo Márcio (Garcia) foi o máximo. Ele é um diretor muito cuidadoso, está fazendo uma carreira muito bonita, no tamanho do brilho dele. ? E sua biografia, quando será lançada? Como é ter a vida descrita em um livro? ? Pelas minhas contas, acredito que em novembro ela esteja nas livrarias. Quem assina é a Denise Mattar. Foi interessante ser personagem de sua própria história. Uma comédia da minha comédia. ? Siga Gente no Twitter!