Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

O final e o meio foram perfeitos: campanha com 100% de aproveitamento e o pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002. Mas a caminhada da Seleção Brasileira rumo ao último título mundial há 20 anos foi marcada por muita insegurança, vexames e uma série de mudanças até o encaixe perfeito na conquista da taça. Desde a decepção do vice-campeonato em 1998, foram necessários três treinadores até que Luiz Felipe Scolari assumisse o cargo e mesmo ele precisou viver altos e baixos.

O momento fora do campo era conturbado. Em um período de três anos, a Seleção perdeu um Mundial em que Ronaldo sofreu uma convulsão horas antes da partida e acabou sendo alvo de teorias da conspiração com direito a CPI da CBF/Nike para apurar os fatos relacionados à final. Mas não era só a entidade que passava por dificuldades, as escolhas no comando técnico também tiveram problemas e ajudavam no colapso da preparação.

Vanderlei Luxemburgo viveu o fracasso na Olimpíada de Sidney com a eliminação nas oitavas de final e ainda foi acusado de falsidade ideológica e sonegação fiscal em 2000. O substituto, Emerson Leão, acabou demitido no aeroporto de Narita, no Japão, pouco antes de embarcar para o Brasil em uma viagem de 30 horas. Isso depois da vitória da Austrália por 1 a 0 sobre os brasileiros na decisão do terceiro lugar da Copa das Confederações no que foi a primeira derrota para um país da Oceania.

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ERA SCOLARI

Com o risco de ficar fora de uma Copa pela primeira vez, chegou Felipão. Em 11 de junho de 2011, o treinador encerrou um vitorioso trabalho no Cruzeiro para assumir a bronca na Seleção Brasileira. Pouco mais de um mês depois, porém, eliminação para Honduras nas quartas de final da Copa América, um vexame na história da equipe. A classificação rumo ao penta aconteceu apenas na última rodada das Eliminatórias.

A vaga veio depois da vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela com dois gols de Luizão e um de Rivaldo. Antes disso, o treinador teve uma derrota para o Uruguai (1 a 0), vitória sobre o Paraguai (2 a 0), derrota para a Argentina (2 a 1), vitória sobre o Chile (2 a 0) e derrota para a Bolívia (3 a 1). No fim, vaga suada para o torneio.

Mas a mudança de chave foi total depois daquela vitória em novembro de 2001. Pelo contexto conturbado, a geração chegava desacreditada à Coréia do Sul e Japão. No grupo que ficou conhecido como “Família Scolari”, porém, a superação de qualquer desconfiança. Anderson Polga, Gilberto Silva, Kléberson e Kaká ganharam espaço. Cafú, Roberto Carlos, Lúcio, Roque Júnior e Edmilson faziam a força nas laterais e na zaga, enquanto Marcos fechava o gol.

Na frente, Juninho Paulista, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo. Claro que as críticas pelas ausências também foram fortes. Na época, a sensação era que Romário deveria ter sido chamado e Ronaldo, recém-recuperado de lesão, ainda inspirava cuidados. Na estreia contra a Turquia, Emerson deslocou o ombro e foi cortado. Assim, Ricardinho chegou para fechar o grupo.

O Brasil passou por Turquia por 2 a 1, China por 4 a 0 e Costa Rica por 5 a 2 na fase de grupos. Depois, eliminou a Bélgica por 2 a 0 nas oitavas de final, a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas e a Turquia por 1 a 0 na semifinal. Na decisão, triunfo por 2 a 0 sobre a Alemanha com dois gols de Ronaldo para coroar a glória.