“Sei o que é lotar um teatro”

"Sei o que é lotar um teatro"

Daniel Schenker Foto Reprodução Jorge Fernando assina o texto, a direção e é o único ator em cena em Salve Jorge. Dito assim, parece demais. Mas não podia ser diferente. Afinal, esse espetáculo é uma panorâmica da sua vida ? desde a infância no Méier até os dias de hoje, como artista consagrado na televisão e no teatro. ?Sei o que é lotar um teatro?, garante Jorge, referindo-se aos 12 anos em que apresentou Boom. Seguindo o formato do trabalho anterior, ele conta histórias e improvisa com o público numa estrutura aberta, que varia a cada apresentação. Normalmente lembrado pelas muitas novelas e pelos diversos shows que dirigiu, ele comprova, em Salve Jorge, que fez bem mais. Seu nome está ligado a montagens próximas do célebre besteirol dos anos 80. Esteve em A Estrela Dalva, encenação centrada em Dalva de Oliveira que, de certo modo, marcou o início da onda contínua dos musicais biográficos. E, ainda no terreno do musical, dirigiu alguns protagonizados por Claudia Raia em que prestava homenagem ao Teatro de Revista. Agora, está envolvido com o remake de Guerra dos Sexos, novela de sucesso que conduziu nos anos 80, escrita por Silvio de Abreu, um dos seus principais parceiros dentro da televisão, assim como Guel Arraes e Roberto Talma. Ao longo do tempo, você desenvolveu parceria sólida com algumas atrizes… Fernanda Montenegro, Duse Nacaratti, Claudia Raia e Claudia Jimenez são as mulheres da minha vida. Duse Nacaratti foi muito ligada aos Dzi Croquettes e ao teatro besteirol. Você também esteve próximo dessas iniciativas… Conheci Duse na época dos Dzi Croquettes. O grupo praticamente me adotou. Claudio Tovar e Claudio Gaya foram especialmente relevantes para mim. Ninguém nunca mais fez nada tão irreverente quanto os Dzi. Só Dercy Gonçalves. Eu me sinto pai do besteirol e dinossauro da stand-up comedy. Só não gosto da cortina preta da stand-up. Em meus espetáculos uso muito o cenário. A parceria com Fernanda Montenegro começou na novela Guerra dos Sexos… Começou ali. Somos responsáveis pela chanchada na televisão. Fernanda faz tudo de verdade. Não se baseia no humor exteriorizado. Você dirigiu a primeira versão de Guerra dos Sexos na década de 80 e agora está à frente do remake da novela. Acha que o telespectador mudou ao longo dos anos? Sim. Hoje o telespectador tem mais opções de entretenimento. E quem chegava em casa às 19h, agora só chega às 21h por causa do trânsito. O surgimento de autores trouxe formatos novos. Um exemplo recente é Cordel Encantado. O ritmo do mundo mudou e a dramaturgia precisa ser contaminada por isto. Mas também não pode ser tão rápido a ponto de o público não conseguir acompanhar a história. A nova versão de Guerra dos Sexos está sendo mais delicada para mim porque tenho um vínculo afetivo com o trabalho que fiz nos anos 80. Você dirigiu várias novelas de sucesso no horário das 19h. O humor desse horário tinha em Cassiano Gabus Mendes um modelo, não? Ele é o pai de tudo. Mesmo da sitcom. Ninguém fazia esse formato e ele já vinha com Alô, Doçura. Qual foi a sua primeira aparição como ator na televisão? Foi fazendo Hoje é Dia de Rock, teleteatro a partir da peça de José Vicente, na TV Cultura de São Paulo, aos 19 anos. Eu era muito ligado em teatro naquela época. Lembro de diversas montagens, como as de Longe Daqui, Aqui Mesmo, de Antonio Bivar, e Missa Leiga, de Chico de Assis. A direção desse teleteatro era de Silvio de Abreu, que depois reencontrei na novela Jogo da Vida. Você tem mais projetos em vista? Estou dirigindo o espetáculo do circo do Marcos Frota, que estreará em março. E gostaria de fazer um filme a partir de A Vida Escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato, texto de Braulio Pedroso. Siga Gente no Twitter!