O novo primeiro-ministro do Haiti, Garry Conille, declarou, nesta quarta-feira (12), que o restabelecimento da segurança e a luta contra a corrupção serão as prioridades de seu governo recém-instaurado.

“Meus queridos compatriotas, o Haiti enfrenta grandes desafios. A violência e a insegurança paralisam nossa vida cotidiana. A crise humanitária agrava o sofrimento de nossos compatriotas mais vulneráveis. E a instabilidade política está minando os próprios alicerces de nossa sociedade”, declarou, durante uma cerimônia oficial.

“Meu governo trabalhará incansavelmente para melhorar as condições de vida de cada haitiano”, prometeu. E acrescentou que “sem segurança, não será possível alcançar nenhum progresso duradouro”.

“Para isso, é crucial que nossos policiais e soldados estejam bem preparados para enfrentar os desafios atuais em termos de segurança. E garantiremos que tenham as ferramentas necessárias para cumprir sua missão com eficácia e profissionalismo”, prosseguiu.

A composição do gabinete interino foi anunciada na terça-feira no jornal oficial do Haiti, Le Moniteur.

O Haiti, que sofre com uma instabilidade política crônica, enfrentou nos últimos meses um recrudescimento da violência das gangues, que controlam 80% da capital, Porto Príncipe.

Em abril, um Conselho Presidencial de Transição foi formado para assumir o controle do país após a renúncia do controverso primeiro-ministro Ariel Henry. Este órgão foi encarregado de nomear um premiê interino e escolheu Garry Conille, médico de formação e até então diretor regional do Unicef.

Conille também declarou nesta quarta-feira que as instituições estatais do Haiti precisam ser “limpas e fortalecidas”.

“A luta contra a corrupção será uma prioridade absoluta do meu governo”, assegurou.

É necessário “restaurar a confiança” dos haitianos em suas autoridades, o que implica “total transparência na gestão dos assuntos públicos” e “tolerância zero com a corrupção”, insistiu, prometendo “auditorias regulares” dos recursos públicos.

O presidente do Conselho Presidencial de Transição, Edgard Leblanc Fils, lembrou na mesma cerimônia que a missão do governo será trabalhar para controlar a crise, “a fim de abrir caminho para a realização de eleições livres, democráticas, críveis e transparentes”.

O Haiti ainda aguarda a chegada do primeiro contingente de uma missão internacional liderada pelo Quênia, destinada a apoiar a polícia haitiana na luta contra as gangues.

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