Os irmãos da família Cascio, que durante anos apoiaram publicamente o cantor Michael Jackson frente às acusações de abuso sexual, mudaram suas versões sobre como foi crescer com o “rei do pop”. Em entrevistas e em um novo processo movido na Justiça dos Estados Unidos, os irmãos afirmam ter enfrentado inúmeros abusos ao longo de anos de convivência com o cantor.
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Em nova reportagem publicada pelo New York Times, o advogado Marty Singer, representante da família Jackson, nega as acusações. “A família defendeu Michael Jackson ferrenhamente por mais de 25 anos, atestando sua inocência em relação a condutas inapropriadas”, afirmou Singer em um comunicado. “Esta nova petição judicial é uma tática transparente de forum shopping em seu esquema para obter centenas de milhões de dólares do espólio e das empresas de Michael.”
O novo processo soma-se a outras duas ações judiciais movidas por Wade Robson, 43 anos, e James Safechuck, 48 anos, que também afirmam ter sido vítimas de Michael Jackson. Ambos contaram publicamente suas versões sobre os abusos sofridos no documentário “Leaving Neverland”, lançado em 2019 pela HBO.
O que diz a família Cascio
O documentário da HBO teria sido o ponto de partida para que os irmãos reconhecessem os abusos sofridos. Aldo Cascio afirma que foi o primeiro a notar semelhanças na sua relação com o cantor após ver os depoimentos de Robson e Safechuck. Logo, todos trocaram informações e descobriram que passaram por situações semelhantes.
Os irmãos relatam que Michael induziu-os a masturbá-lo ou praticar felação, masturbou-os ou pedia que tirassem as roupas para que ele os olhasse enquanto se masturbava. Assim como nas histórias contadas por Robson e Safechuck, os Cascio dizem que o cantor pedia segredo sobre as situações afirmando que possuíam uma relação única, ou ameaçando que coisas ruins poderiam ocorrer com eles e seus pais.
Uma especificidade do caso dos Cascio, no entanto, são supostas tentativas de Michael Jackson de treiná-los para defendê-lo. “Ele me dizia: prometa que vai me defender”, afirma Aldo Cascio em entrevista ao GBNews. “Eu não percebia como era sério.”
A família procurou o espólio de Michael Jackson em 2019, após terem chegado à conclusão de que foram todos vítimas de abusos. Um acordo de silêncio foi então assinado para o pagamento de US$ 16 milhões ao longo de cinco anos. O último dos depósitos ocorreu em 2025.
A família contratou advogados e passou então a exigir mais dinheiro por seu silêncio. No novo processo, eles afirmam que foi então que a família Jackson teria passado a vazar informações na mídia de que estaria sendo chantageada.
Michael Jackson e a família Cascio
A relação entre Michael Jackson e a família Cascio começou nos anos 1980, quando o patriarca, Dominic Cascio, trabalhava em um hotel de luxo em Nova York. Michael, que frequentemente buscava refúgio da solidão e do assédio da mídia, encontrou na casa dos Cascio, em Nova Jersey, um ambiente familiar caloroso e acolhedor.
Com o passar dos anos, essa conexão se estreitou a ponto de Michael se tornar um mentor e figura fraterna para os jovens Cascio. Frank Cascio, em particular, tornou-se um assistente pessoal e amigo íntimo, permanecendo ao lado de Michael durante os períodos mais turbulentos de sua carreira, incluindo o julgamento por abuso sexual infantil em 2005. Em 2011, ele publicou o livro “Meu amigo Michael: A história de uma amizade com um homem extraordinário”, em que contava sua relação com o cantor desde a infância para defendê-lo.
A lealdade da família era vista como inabalável, e Michael frequentemente se referia a eles como sua “segunda família”, confiando-lhes segredos e momentos de vulnerabilidade que raramente compartilhava com o mundo exterior.
No entanto, essa imagem de amizade pura foi abalada após a morte do Rei do Pop em 2009. A família Cascio apresentou uma série de gravações que, segundo eles, haviam sido feitas por Michael em um estúdio improvisado no porão de sua casa em 2007. Três dessas músicas foram lançadas no álbum póstumo Michael em 2010, mas fãs, familiares e produtores renomados questionaram publicamente a autenticidade dos vocais.
O episódio, que ficou conhecido como o escândalo das “Cascio Tracks”, resultou em anos de batalhas judiciais e teorias da conspiração que mancharam o legado da família. Embora os Cascio sempre tenham sustentado que as gravações eram legítimas, o espólio de Michael Jackson e a Sony Music acabaram removendo as músicas das plataformas de streaming em 2022, em uma tentativa de preservar a integridade da discografia do artista.