O segmento de geração da Eletrobras foi responsável por um lucro de R$ 11,7 bilhões em 2018, quase o triplo dos R$ 4 bilhões anotados em 2017. Assim como no exercício anterior, o ganho decorre basicamente de suas atividades pelo regime de exploração, já que as usinas que operam via Operação e Manutenção (O&M), também conhecido como regime de cotas, apresentaram um prejuízo, de R$ 18 milhões, ainda assim significativamente menor que os R$ 455 milhões de 2017.
A melhora no segmento de O&M reflete a conclusão da revisão periódica das Receitas Anuais de Geração (RAGs) das usinas, que incorporou uma parcela para viabilizar a realização de melhorias nesses ativos (GAG Melhoria), o que resultou no aumento do patamar de receitas referente a tais usinas com impacto de R$ 517 milhões na receita.
Já no regime de exploração, o aumento da lucratividade se deve à forte queda das despesas e custos operacionais, que passaram de R$ 11,932 bilhões para R$ 704 milhões, influenciadas pela reversão de provisões. Só reversão de impairment e contrato oneroso referente à Usina de Angra III somou R$ 7,243 bilhões.
Na transmissão, o lucro alcançou cerca de R$ 1,2 bilhão, abaixo dos R$ 3,3 bilhões de 2017. As linhas que operam pelo regime de exploração reduziram o prejuízo, passando de R$ 299 milhões para R$ 62 milhões. Mas os empreendimentos que operam pelo regime de O&M registraram lucro de R$ 1,238 bilhão, ante os R$ 3,655 bilhões no ano anterior.
Houve no ano passado uma diminuição da remuneração da chamada da Rede Básica do Sistema Existente (RBSE) – a indenização pelos ativos não amortizados de linhas de transmissão renovadas em 2013. Além do início da amortização mensal dos ativos, pesou a alteração da mensuração do saldo a receber relativo à RBSE. A companhia anotou um ajuste de R$ 3,556 bilhão na estimativa do valor financeiro dos ativos.
Por fim, a área administrativa da companhia apresentou um lucro de R$ 2,325 bilhões, ante prejuízo de R$ 4,9 bilhões anotado em 2017, resultado de custos e despesas de R$ 3,6 bilhões, ante R$ 7,7 bilhões do ano anterior, e do aumento das participações societárias, que passaram de R$ 2,69 bilhões para R$ 4,352 bilhões, influenciado pela reversão do patrimônio líquido negativo das distribuidoras Cepisa, Eletroacre, Ceron e Boa Vista Energia, vendidas em 2018.
No total, as três áreas somaram um lucro líquido de R$ 15,227 bilhões no ano de 2018, o que a companhia classificou este ano como operações continuadas. As distribuidoras, classificadas como operações descontinuadas por estarem em processo de venda, geraram prejuízo de R$ 1,879 bilhão.