O Dia

Secretário afirma que mortes causadas pela polícia devem subir até o fim do ano

Sem revelar números, Marcus Vinícius de Almeida Braga disse que ocorrências do tipo de janeiro a julho deste ano são maiores em relação ao mesmo período de 2018

Rio – O secretário estadual da Polícia Civil, o delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga, afirmou, na manhã desta terça-feira, que o número de mortes provocados por policiais deve aumentar até dezembro. Sem revelar a quantidade de ocorrências do tipo de janeiro a julho deste ano, Braga disse que o número é maior em relação ao mesmo período do ano passado.
“É um numero que a tendência é subir até dezembro, porque as ações estão sendo feitas”, Braga disse, em entrevista à TV Globo. “Conforme a gente vai trabalhando, as investigações, a inteligência, a integração com a Polícia Militar, a tendência é baixar”.
O delegado afirmou também que o número das mortes ainda é “alto” e que “não é um numero que a gente deseja”. 
“Tenho mais de 1.500 operações em favelas. É muito difícil trabalhar em favela, você tem uma reação muito forte, são muitos fuzis”, contou. “Até erram no termo utilizado… uma política de enfrentamento. Não existe enfrentamento. O enfrentamento requer uma hierarquia”.
HOMICÍDIOS
Braga antecipou um dado do período que o Instituto de Segurança Pública (ISP) irá revelar ainda hoje, sobre o número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) no estado. De acordo com ele, de janeiro a julho desse ano foram 2.392 mortes. No mesmo período do ano passado foram 3.101, uma diferença de 709 casos, representando uma queda de 22.86%.
“É o menor numero desde 1991”, o secretário comemorou. “Só este ano a gente prendeu 700 homicidas”.
HELICÓPTEROS EM OPERAÇÕES
O secretário também defendeu o uso de helicópteros da Polícia Civil em operações do estado. A participação da aeronave em ações policiais é alvo de críticas da Defensoria Pública estadual. Braga citou o novo protocolo adotado pela secretaria para operações do tipo, sem revelar muitos detalhes.
“O protocolo, por óbvio, é sigiloso para resguardar a vida dos policiais e dos inocentes que estão em baixo. Adiantando, no protocolo existe agora a progressão da força (…) Em alguns lugares, a gente usa armamento não letal, exatamente para não usar armamento letal”, contou.
O delegado defendeu o uso do helicóptero nas operações dizendo que com a aeronave o tempo de tiroteios nas comunidades diminui de 40 ara três minutos.
“O Águia tem uma visão privilegiada. O tiro do Águia é certeiro porque ele tá vendo o solo. O tiro na horizontal, só Deus sabe”, comparou. “O Águia é um salvador de vida para todos”.
Ainda segundo Braga, “não há registros” de balas perdidas provocadas por tiros disparados do helicóptero da Polícia Civil.
“Pelo menos que eu me lembre (…) Uma operação sem Águia provavelmente vai ter ou vitimas inocentes ou bala perdida”, afirmou.