“Seca no rio Pó atinge nível máximo e provoca crise hídrica na Itália”

Mais de 100 municípios enfrentam problemas críticos de abastecimento, com lagos e reservatórios em níveis alarmantes

"Seca no rio Pó atinge nível máximo e provoca crise hídrica na Itália"

A bacia do rio Pó, a maior da Itália, enfrenta a sua pior crise hídrica, com as condições de seca atingindo o nível máximo nesta quinta-feira, 30 de julho. O Observatório de Uso da Água da Autoridade da Bacia do Rio Pó (AdbPo) emitiu um alerta que abrange toda a bacia, com foco na criticidade do fornecimento de água potável à população.

O que aconteceu

  • A seca no rio Pó atinge o nível máximo, gerando alerta para o fornecimento de água potável em toda a bacia.
  • Mais de 100 municípios no Piemonte e na Lombardia enfrentam problemas críticos de abastecimento, utilizando caminhões-pipa.
  • Grandes lagos e rios afluentes, como o Dora Baltea, registram quedas significativas nos volumes de água e níveis de reservatórios.

De acordo com o Observatório, no momento, mais de 100 municípios localizados no Piemonte e na Lombardia enfrentam problemas críticos de abastecimento. Para mitigar a situação, caminhões-pipa têm sido utilizados por dias para reabastecer os reservatórios municipais e garantir o fornecimento contínuo de água aos residentes dessas áreas. A questão do abastecimento de água potável tem sido um desafio global, como visto em situações de escassez em grandes sistemas hídricos, a exemplo do que ocorre no Brasil, onde a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) monitora o Sistema Cantareira.

Impactos regionais da estiagem

No Vale de Aosta, o relatório da AdbPo aponta uma redução de 20% na disponibilidade total de água nos últimos seis meses. Consequentemente, as vazões do rio Dora Baltea, um dos principais afluentes do Pó, operam abaixo da média sazonal. O nível de armazenamento nos principais reservatórios da região atualmente se encontra em 45% de sua capacidade total.

A Ligúria também é afetada, com as nascentes comprometidas devido à queda dos níveis do lençol freático. Na Emilia-Romanha, os reservatórios de Mignano (com apenas 24,8%) e Molato (15,5%) apresentam níveis significativamente baixos. Contudo, a situação na região de Bolonha é um pouco mais favorável, com os reservatórios de Suviana (92%), Brasimone (67%) e Renovivo (78%) ainda suficientes para atender às necessidades locais.

A crise atinge os grandes lagos?

Mesmo a icônica região dos Grandes Lagos não escapou dos efeitos da crise hídrica. O Lago Maggiore e o Lago de Iseo registraram uma perda de 7% de seus volumes de água na última semana. De forma similar, os Lagos de Como e Garda retraíram 6% de seus volumes, enquanto o Lago de Idro observou uma redução de 1%. A intensidade da crise hídrica na Itália remete a outros eventos extremos ao redor do mundo, que incluem desde secas severas a inundações inesperadas, como as que atingiram o Havaí.

Da IstoÉ com ANSA