Se a terceira via morreu, viva a terceira via

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Um mês atrás, mais ou menos, conversei com um amigo sábio – uma das pessoas que mais entendem de pesquisas eleitorais no Brasil e já assistiu a todo tipo de eleição.

Sua mensagem, na essência, foi a seguinte: as chances de uma terceira via se consolidar até 2022 são muito pequenas. Uma vez que uma polarização se instala – como é o caso no Brasil, com a clivagem entre lulismo e bolsonarismo – rompê-la com uma terceira candidatura é quase impossível. Ele citou exemplos locais e estrangeiros para ilustrar o fenômeno.

Eu retruquei: todas as pesquisas mostram que existe um grande contingente de eleitores que não querem nem uma alternativa, nem outra. Seu número seria mais do que suficiente para tornar competitivo um terceiro nome.

É verdade, disse ele. Mas deve-se olhar as pesquisas no detalhe, especialmente quando elas perguntam se o entrevistado não votaria no candidato X de jeito nenhum, ou talvez votasse.

Aí se percebe que uma parte significativa dos eleitores da hipotética terceira via não rejeita de maneira absoluta um dos candidatos da polarização. E assim, na hora H, o que tende a acontecer é o esvaziamento da candidatura alternativa. Um bom número de pessoas acaba votando no sujeito que lhes parece menos intragável, entre os dois que desde sempre pareciam fadados a disputar o segundo turno.

Esse é um cenário desolador para quem acredita que a vitória de Lula ou de Bolsonaro – e aqui vou poupar o leitor de adjetivos sobre os dois – não vai melhorar o ambiente político, nem pôr o Brasil no rumo de algo novo e melhor.

Segundo o meu amigo sábio, o tabuleiro pode ser bagunçado de duas maneiras. Primeiro, se por algum motivo Lula e Bolsonaro não forem mais candidatos. O jogo começa do zero.

Além disso, se alguém conseguir substituir um dos nomes na polarização. Esse não seria exatamente um nome de terceira via. Seria um candidato de esquerda ou direita, que entraria no lugar dos que hoje já estão posicionados

Uma vez que as ações contra Lula estão sendo invalidadas uma a uma, o que torna improvável que ele volte a perder o direito de disputar em 2022, restaria a hipótese do impeachment de Bolsonaro para que a primeira bagunçada de tabuleiro acontecesse.

Essa hipótese nunca pareceu mais forte do que no dia 8 de setembro. E foi enterrada para sempre no dia 9, quando Bolsonaro assinou a cartinha perfumada escrita por Michel Temer, e nuvenzinhas de algodão voltaram a flutuar no céu de Brasília.

Sejamos realistas: faltando pouco mais de doze meses para o primeiro turno das próximas eleições, não haverá impeachment. Quase ninguém o deseja no Congresso, cuja palavra é a única que importa nesse assunto.

Alguns por interesse, como Arthur Lira e seus cupinchas do Centrão, ou o PT, que vê a parada já ganha se a disputa no ano que vem for contra Bolsonaro.

Outros por burrice, como boa parte do PSDB, que discorda da decisão já bastante tardia da Executiva Nacional do partido de aderir à oposição. A verdade é que os tucanos, desde o primeiro governo de Lula, quando fizeram corpo mole diante do mensalão, jamais entenderam para que serve a oposição em uma democracia. A esse respeito, veja-se a declaração de Pedro Cunha Lima, 33 anos, que preside o instituto de formação política do PSDB e acha que o partido não deve fazer oposição sistemática. Isso sim é uma “jovem liderança”, haha.



A segunda maneira de bagunçar o tabuleiro seria conseguir desalojar Lula e Bolsonaro das suas trincheiras. Isso requer muito carisma e um discurso político matador que, convenhamos, não são vistos no horizonte.

A maioria das lideranças de esquerda se ajoelha para Lula, e Ciro Gomes, que preferiria aplicar um joelhaço no petista, não tem força para tanto.

A tarefa não é menos árdua na direita. Não basta se apresentar como encarnação do antipetismo. Seria preciso também cativar um bom contingente desses eleitores que começam a ficar desiludidos com Bolsonaro. O problema é que essa gente acharia Gengis Khan meio maricas, se esbarrasse com ele. Eles só se encantariam com quem estivesse pronto a tocar as trombetas do apocalipse, e parece não haver tal personagem no mercado (felizmente).

Isso significa que é preciso abrir mão da ideia da terceira via? De jeito nenhum. As manifestações chochas do dia 12 de setembro não significam que o desejo de algo diferente do lulismo e do bolsonarismo não fervilha na política brasileira, mas apenas que ele ainda não encontrou expressão eleitoral, o que é algo muito diferente. E nunca vai encontrar, se o empenho for abandonado agora e se o futuro depender de luminares como Pedro Cunha Lima.

Infelizmente, construir a tal terceira via talvez não seja tarefa para uma eleição só. Por tudo o que diz o meu amigo sábio, e que tentei transmitir neste post, ainda que o movimento “nem/nem” consiga levar um milhão de pessoas à Avenida Paulista numa próxima manifestação, isso talvez não baste para tirar Bolsonaro e Lula da disputa de um segundo turno em 2022.

Nesse caso, impedir que as ideias que eles representam ocupem o poder depois de 2026 continua sendo imperativo.

PS: Parece que o caso de Pedro Cunha Lima une burrice e interesse. Ele andou indicando gente para o governo.

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Sobre o autor

Carlos Graieb tem trinta anos de experiência como jornalista e executivo de mídia. Foi secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (2017-2018)


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