Sarkozy é condenado por financiamento ilegal de campanha

PARIS, 30 SET (ANSA) – O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, 66, foi condenado nesta quinta-feira (30) a um ano de prisão por financiamento ilícito de sua campanha nas eleições de 2012, quando perdeu para François Hollande.   

De acordo com a acusação, a campanha de Sarkozy emitiu notas frias por meio da Bygmalion, empresa que administrava a candidatura, para esconder o desrespeito ao teto de gastos de 22,5 milhões de euros estabelecido pela legislação francesa – o então presidente teria desembolsado pelo menos 42,8 milhões de euros.   

Em seu veredicto, a presidente do tribunal, Caroline Viguier, disse que as acusações são de uma “gravidade sem precedentes” e que Sarkozy “prosseguiu com a organização de comícios, permitiu novos gastos e voluntariamente se omitiu, na qualidade de candidato, de exercitar um controle sobre as despesas”.   

Apesar da condenação, o ex-presidente não deve ir para a cadeia, já que o regime fechado costumam ser imposto no caso de sentenças superiores a dois anos. Por outro lado, ele terá de usar tornozeleira eletrônica, mas sua defesa já anunciou que entrará com recurso.   

Essa é a segunda condenação contra Sarkozy neste ano. Em março passado, ele foi sentenciado, também em primeiro grau, a três anos de prisão, sendo dois com pena suspensa, por corrupção e tráfico de influência.   

Esse processo nasceu das investigações sobre o suposto financiamento líbio à campanha vitoriosa de Sarkozy em 2007. Em 2013, magistrados apreenderam um celular do ex-mandatário e descobriram que ele usava uma linha secreta com o nome de “Paul Bismuth” para se comunicar com seu advogado, Thierry Herzog.   

Segundo a acusação, Sarkozy, por meio de Herzog, teria prometido ao então procurador na Corte de Cassação, Gilbert Azibert, um cargo no Principado de Mônaco. Em troca, Azibert teria passado informações sigilosas sobre o inquérito relativo às supostas doações ilegais da empresária Liliane Bettencourt (1922-2017) para a campanha eleitoral do ex-presidente.   

A defesa de Sarkozy já recorreu dessa sentença. (ANSA).