Mais conselheiros do São Paulo reprovaram o balanço financeiro de 2025 em segunda votação, após um erro no procedimento no primeiro pleito. Foram 210 votos contra 24 de aprovação e três abstenções. O primeiro resultado havia sido 194 a 34.
Na noite de quinta-feira, após a primeira apuração, foi verificado que o sistema digital que computa os votos estava na modalidade de votação secreta. Entretanto, as discussões como balanços financeiros têm previsão de voto aberto. A nova votação foi iniciada às 19h desta quinta-feira e encerrada às 22h de sexta-feira.
O principal motivo para a reprovação foram R$ 7 milhões que constam como “fundo promocional da presidência”, sem comprovação de finalidade. O trabalho de análise externa do balanço e que atentou para a situação foi conduzido pela empresa RSM.
Os valores não declarados fazem parte de uma investigação da força-tarefa composta por Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Um dos inquéritos sobre o clube levantou suspeitas sobre R$ 11 milhões sacados em contas do São Paulo na gestão Casares.
Os R$ 4 milhões justificados são referentes a gastos com arbitragem e pagamento de “bicho” a jogadores. Era isso que a defesa de Júlio Casares havia apontado em janeiro, quando as investigações se tornaram conhecidas publicamente.
Apesar do “buraco” na prestação de contas, o São Paulo teve um exercício melhor em 2025 do que no ano anterior. O clube bateu recorde de faturamento, com R$ 1 bilhão, e reduziu a dívida em R$ 100 milhões.
O débito são-paulino ficou em R$ 858,2 milhões, reduzindo o valor de R$ 968,2 milhões de 2024. Houve, porém, aumento nas despesas, que foram de R$ 908 milhões (2024) para R$ 943 milhões (2025).
Para a atual gestão, não há sanções previstas a partir disso. Entretanto, a gestão de Harry Massis Júnior fica com imagem prejudicada perante o mercado, dificultando possíveis negociações de patrocínios e empréstimos, por exemplo. Na primeira semana de abril, em outra reunião, conselheiros irão votar dois novos pedidos de crédito do clube.
Em um caso mais grave, o São Paulo poderia ser excluído do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O programa permite que clubes parcelem dívidas fiscais ou trabalhistas com a União em até 240 meses.
Já para o ex-presidente Júlio Casares, há outras consequências. A partir da reprovação, conselheiros podem abrir um processo que acuse Casares de gestão temerária. Isso pode levar até mesmo à exclusão do ex-dirigente do clube.