São Paulo conquista Selo Ouro do MEC por avanços na alfabetização

Mais de 330 mil crianças de até 7 anos atingiram o nível de fluência leitora

Alunos da escola estadual Joy Arruda, em São Paulo
Alunos da escola estadual Joy Arruda, em São Paulo Foto: Marco Ankosqui/Educação SP/Divulgação

O Estado de São Paulo consolidou sua posição como referência no ensino fundamental ao conquistar o Selo Ouro na 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, organizado pelo Ministério da Educação (MEC). O resultado, divulgado nesta segunda-feira (9 de fevereiro de 2026), premia o esforço conjunto entre a rede estadual e as 645 prefeituras paulistas para garantir que as crianças aprendam a ler e escrever na idade correta.

Resumo

  • São Paulo recebeu a certificação máxima na 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização;

  • O estado saltou do selo prata em 2024 para o ouro em 2026, somando 118 de 150 pontos possíveis;

  • Mais de 330 mil crianças de até 7 anos atingiram o nível de fluência leitora, um recorde histórico;

  • A meta da Secretaria da Educação (Seduc-SP) é chegar a 90% de alunos fluentes até o fim de 2026.

Em 2024, o desempenho dos estudantes superou as expectativas: 58% dos alunos foram classificados com nível de aprendizado adequado, ultrapassando a meta estabelecida de 57%. O avanço é reflexo de uma gestão que priorizou a fluência leitora e a formação contínua. “Saímos do selo prata para o de excelência. Esse ouro confirma um trabalho sólido de colaboração inédita entre estado e municípios”, celebrou Renato Feder, secretário da Educação de São Paulo.

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O modelo

O pilar dessa transformação é o programa Alfabetiza Juntos SP, que em dezembro de 2025 recebeu o reconhecimento da Unesco. A política paulista foi validada pelo modelo internacional CARE-KNOW-DO, que conecta o compromisso ético de ensinar (Care) com estratégias baseadas em evidências (Know) e a aplicação prática do conhecimento na comunidade (Do).

Essa abordagem é vista pela ONU como uma contribuição direta para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, que visa assegurar a educação inclusiva e de qualidade. Para os especialistas, alfabetizar em São Paulo deixou de ser apenas um processo mecânico de junção de letras para se tornar uma ferramenta de transformação social.

Recorde de fluência

Os números de 2025 revelam um avanço sem precedentes: três em cada quatro crianças de até 7 anos em São Paulo já são consideradas leitoras. Ao todo, 330 mil estudantes atingiram os níveis iniciante ou fluente, um aumento de 50% em relação aos dados de 2023.

Para ser considerado fluente, o aluno precisa ler mais de 65 palavras por minuto com 90% de precisão. Já os leitores iniciantes são aqueles que conseguem decifrar 11 ou mais palavras, ainda que de forma pausada ou silábica. O sucesso do programa é sustentado por uma infraestrutura tecnológica e pedagógica que inclui:

  • Avaliação de Fluência: Monitoramento em 100% das cidades paulistas.

  • Material Didático: Apoio ao Currículo Paulista adotado por 572 prefeituras.

  • Tecnologia em Sala: Plataformas como Elefante Letrado (leitura) e Matific (matemática).

  • Capacitação: Formação de mais de 61 mil professores e 8 mil gestores municipais.

O desafio de 2026

Apesar do “ouro” nas mãos, a Seduc-SP mantém o pé no acelerador. O objetivo para 2026 é ainda mais ambicioso: garantir que 90% dos estudantes das redes públicas paulistas terminem o ciclo de alfabetização como leitores fluentes. Com a adesão total dos municípios ao Saresp e ao sistema de avaliação de fluência, o estado cria um ecossistema de dados que permite intervenções rápidas onde o aprendizado ainda encontra obstáculos.